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Diretor do Proms fala da programação em que a Osesp se apresenta em Londres

A Sinfônica de São Paulo está em turnê pela Europa - Inglaterra, Alemanhã e Holanda - até o dia 19

JOÃO LUIZ SAMPAIO - ENVIADO ESPECIAL , O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h08

"Oferecer música clássica de qualidade, para o maior número de pessoas." Sentado em um dos salões do centenário Royal Albert Hall, Roger Wright se diverte lembrando que é bem provável que os criadores do Proms, em 1895, tenham definido o festival com as mesmas palavras. "No fundo, é isso mesmo. O que mudou foi apenas a 'percepção de novos desafios, trazidos pela tecnologia e pela necessidade, sempre presente, de ampliar as plateias, buscar novos públicos", diz.

Wright é diretor do Proms desde 2007, ocupação que divide com a de controlador geral da BBC 3, emissora de rádio estatal dedicada à música clássica - e também responsável pelo Proms (abreviatura de Promenade Concerts). Isso significa que ele é encarregado de montar uma temporada anual de cerca de cem concertos, realizados entre o fim de julho e o começo de setembro, todos eles transmitidos ao vivo pelo rádio - e um terço deles também pela televisão, caso, por exemplo, do concerto feito pela Osesp na noite de quarta-feira.

Realizado no verão, o festival não deixa a capital. Faz questão de ser uma opção para quem fica - e quem visita a cidade. "E, em tempos de internet, nossas transmissões podem chegar a qualquer lugar do mundo por meio do nosso site", diz Wright. "É importante ter isso em mente quando programamos. Que público eu quero atingir? Todos, do jovem estudante à família que vem reunida assistir a um concerto. O foco é cativar ainda mais o público tradicional e, ao mesmo tempo, inovar, arriscar, para ser capaz de atrair pessoas que nunca estiveram em um concerto."

Nesse sentido, é fundamental o valor dos ingressos - o mais barato custa 7 libras. "Quem paga o ingresso mais barato fica mais perto do palco, no círculo central, e isso é interessante", diz Wright. Mas isso não basta, acredita ele. Desde o início dos anos 2000, o Proms tem realizado em todo o Reino Unido um projeto de educação musical, coordenado por Ellana Wakely. Ela explica que seu trabalho foi transformar trabalhos comunitários em uma rede integrada de ações, cuja palavra-chave é "participação". "Nossa função é dar as ferramentas para que as pessoas absorvam a música no dia a dia", diz. O que significa desde aulas de musicalização nas escolas até a criação de orquestras familiares, montadas nas comunidades, passando por sete laboratórios de composição espalhados pelo Reino Unido. "Músicos da BBC e compositores mais experientes trabalham com os jovens, estimulando-os a criar suas próprias composições, que depois são selecionadas e podem chegar a ser tocadas em concerto do Proms."

A montagem da programação, além dos grupos e solistas convidados (com agendas feitas com até quatro anos de antecedência), tem como espinha dorsal os concertos das cinco orquestras mantidas pela BBC na Grã-Bretanha - o que permite, entre outras coisas, ênfase na música do século 20 e na encomenda de obras novas. Este ano, por exemplo, há uma série de projetos ligados a John Cage, inclusive uma caminhada pelas imediações do teatro, com visitas a prédios e locais onde obras feitas por jovens compositores dialogam com os conceitos propostos pela criação do autor britânico. "O Royal Albert Hall parece uma fortaleza", brinca Wright. "Mas não é, e precisamos mostrar isso."

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