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Diretor de 'Curvas da Vida' fala sobre o filme e de sua ligação com Eastwood

Longa-metragem de Robert Lorenz passa-se no meio esportivo, mas não é só beisebol

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

29 de novembro de 2012 | 02h12

Por muitos anos, Robert Lorenz foi, e ainda é, homem de confiança do ator, produtor e diretor Clint Eastwood. Ele estreia agora na direção com um filme já em cartaz, desde sexta passada. Curvas da Vida passa-se no meio esportivo, mas não é só beisebol. É sobre a relação entre um idoso (Clint) e a filha, sobre as mudanças no mundo e nas relações. É sobre um ouvido muito particular, capaz de captar um 'som'. Numa entrevista por telefone, de Los Angeles, Lorenz fala de seu filme - e da relação com Clint.

O desejo de se tornar diretor foi alguma coisa repentina ou já vinha se manifestando há tempos?

Há tempos, mas é difícil sair da sombra de alguém tão grande quanto Clint. De repente, você está ali ajudando a viabilizar os projetos dele, e são filmes que fazem a diferença. Mas ele sabia do meu desejo, e me apoiou. Fizemos o filme na Malpaso, com toda a estrutura da Warner. Clint me assessorou no roteiro, invertendo uma posição minha que é frequente no cinema dele, mesmo que não seja creditado como roteirista. O personagem foi ficando com a cara de Clint, e secretamente tudo o que eu queria é que ele fizesse o papel. Mas Clint já havia anunciado que não queria mais atuar - nem nos próprios filmes. Chegamos a discutir alguns nomes, mas para mim foi um alívio quando ele reconheceu que era um personagem que poderia fazer.

Tenho grande respeito por Clint como artista, mas não gostei nem um pouco de seu número de apoio a Mitt Romney, criticando Barack Obama por meio da cadeira vazia da presidência dos EUA. O filme tem um lado político, digamos, conservador. Critica a geração internet, os jovens. Isso é seu, ou é dele?

No que você está me dizendo e perguntando, existem duas coisas. Também não gostei do que você chama de número dele, mas não é preciso estar alinhado com as ideias do chefe para trabalhar com ele. Com frequência divergimos, mas isso nunca foi motivo para que Clint duvidasse de minha lealdade. Às vezes, é bom ter vozes discordantes ao redor. No filme, a posição de Clint como olheiro em busca de novos talentos é ameaçada por um jovem que usa as ferramentas da internet. Creio que alguém talvez possa ver nisso um dado conservador e até reacionário, mas o que estamos querendo dizer é que a internet não substitui a experiência. Existe um grau de conhecimento que não pode nem deve ser descartado. Clint traz sua persona para o papel. Você vai me dizer que acha que ele tem de se aposentar? Nãããooo. Clint está no topo. Tem o que dizer e acho que vamos ganhar, se continuarmos lhe dando ouvidos.

O charuto é uma ideia sua, ou dele?

Estava no roteiro, mas não me lembro mais se foi alguma sugestão dele. Sempre tem alguém no estúdio para reclamar. Fumar nos filmes virou um problema, e um idoso ainda por cima, com os problemas broncopulmonares da idade... Mas a cigarrilha é indissociável de Clint desde os faroestes italianos. Compõe bem a figura do velho esportista.

O personagem não ouve muito bem e, no limite, é um som, muito particular, que vai fazer a diferença na contratação do jogador. Tem aí alguma metáfora?

Você diz de superação? Se você acha que tem, já está respondido. Não adianta o que a gente coloca nos filmes. O importante é o que o público absorve deles, e coloca também.

É um filme feito com calma, que toma seu tempo. Não ficou com medo de que ficasse arrastado?

Toda história tem seu tempo, seu ritmo. Se fosse contada do ângulo de Mickey, e é curioso que Gus (Clint) tenha dado à filha esse nome masculino, o tempo seria outro. Não iria colocar Clint sobre patins, ou no skate, para forçar a dinâmica.

O que Amy Adams traz para o papel da filha?

Sandra Bullock quase fez o papel, mas Amy e Clint possuem uma veracidade que funciona na tela.

Você ficou satisfeito com o resultado?

Nem Clint fica 100% satisfeito com seus filmes. A gente sempre gostaria de aprimorar, mas o processo é industrial. Acho que a presença dele muda tudo. Não consigo imaginar meu filme com outro ator, só com aqueles velhos lendários, John Huston, por sinal, um grande diretor.

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