Direto, falava de equívocos e pedia revisões

Com cada interlocutor Mário de Andrade tinha um tipo de diálogo, dependendo da relação preestabelecida. A Anita Malfatti, uma irmã mais velha, dizia diretamente se achava que ela ia num caminho equivocado. Independente, a pintora reagia com firmeza. Portinari era o pintor e intelectual de sua admiração; Tarsila não era uma destinatária única - no período de seu relacionamento com Oswald de Andrade, Mário lhe escrevia sabendo que os dois leriam.

O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2012 | 02h10

Com todos, estabelecia negociações em relação aos percursos traçados. Ele insistia na defesa de uma identidade brasileira nas artes, exigia que aquela geração deixasse um legado. "Desafio vocês a voltarem ao Brasil", instigava Tarsila e Oswald em sua estada europeia.

Discutia o projeto artístico do modernismo, por vezes em dezenas de páginas, visualizando-as como espaço de reflexão a ser avaliado futuramente. "Para o Mário, a correspondência era um projeto intelectual. Ele tinha a dimensão que as cartas serviriam para a posterior compreensão do modernismo", diz o pesquisador Marcos Moraes, do IEB-USP. "Ele participou dos processos de criação através do que escrevia. Quando um artista mandava um croqui e o submetia a Mário, ele ajudava em sua formação."

Moraes tomou como projeto de vida a reunião de todas as suas cartas. O trabalho de análise da correspondência passiva (ele como destinatário), desencadeado pela curadora do acervo, Telê Ancona Lopez, vem de 1995, passados 50 anos da morte de Mário - como ele havia pedido, para que se preservasse a intimidade dos remetentes. / R.P.

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