Direto de Cartagena

Faltou coragem e sinceridade à oposição na defesa do programa de privatizações do governo FHC. "Fizemos certo e isso tem que ficar claro para a população. Mesmo porque o governo Lula não voltou atrás em nenhuma das nossas privatizações", esclareceu ontem, em Cartagena, Fernando Henrique Cardoso, ao ser indagado sobre o tema logo após sua palestra em seminário do Lide, organizado por João Doria Júnior.

SONIA RACY, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

FHC disse isso sem saber ainda que o debate na TV Bandeirantes, domingo à noite, versou sobre a questão de maneira incisiva, com Serra defendendo o programa. O canal não pega na Colômbia.

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Ao citar Embraer, Vale e o bom funcionamento da telefonia brasileira, o tucano indagou: "Você acha que explicando na TV, o povo não entenderia? Claro que entende. Pergunte se alguém gostaria de jogar seu celular no lixo porque ele é privatizado?", sugeriu, sob aplausos de uma plateia de 150 pessoas, entre empresários, artistas, além de autoridades colombianas.

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Para FHC, o equilíbrio do sistema capitalista passa necessariamente pela competitividade. "A regra é competir", ponderou, lembrando que seu governo possibilitou a transformação do BB e da Petrobrás em empresas públicas bem posicionadas em condições de disputar mercados. "Nunca defendi a venda da Petrobrás ou do BB. E sim transformar essas estatais em empresas públicas bem gerenciadas", enfatizou o ex-presidente.

Exemplo? Excluir a estatal do petróleo das exigências da Lei 8666 que engessa o setor público. No BB, criou-se regras para evitar mais desmandos, como o buraco de US$ 8 bilhões coberto pelo Tesouro Nacional.

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Mesmo sem citar o pré-sal ao falar sobre matriz energética no Brasil, o tucano não deixou o assunto passar em branco. "Temos o etanol, os ventos, a energia hídrica e tem gente ainda apaixonada pelo petróleo."

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O desafio do Brasil hoje, segundo FHC, não é mais crescer e sim o que queremos como modelo de sociedade. "Temos que fazer algumas escolhas e embutir nelas no sentimento do País."

Direto do SWU

Mais de R$ 6 milhões. Foi essa a quantia que o Ministério da Cultura liberou, via lei de incentivo fiscal, para a produção do SWU no fim de semana.

Quem passou quase anônima pela fazenda Maeda foi Sandy. Com o marido, Lucas Lima, preferiu assistir ao show de Dave Matthews longe da multidão. Mas não deixou de dançar todas as músicas.

Figurino eleito no festival - short curto e bota estilo cowboy - levou as meninas a bater o queixo de frio, na primeira noite. Já no domingo, os cachecóis e mantôs tomaram conta do gramado.

Ellen Jabour - que encarnou a "groupie" e acompanhou o Guns n" Roses em turnê pelo Brasil- estava low-profile. Circulou pela área vip e assistiu ao show de Joss Stone.

Amor de pai é forte mesmo. Prova disso foi Eduardo Suplicy. O senador chorou quando os filhos Supla e João subiram ao palco, em Itu.

Sérgio Brito, dos Mutantes, tomou um choque na boca logo no início da apresentação. Deu um pulo para trás.

Os frequentadores do festival encontraram outra função para bancos feitos com pneu reciclado espalhados pela grama: se transformaram em "pula-pulas".

Direto do debate

O confronto nem tinha começado e a temperatura já estava elevada na TV Bandeirantes, anteontem. Marco Aurélio Garcia foi flagrado sussurrando para Moreira Franco: "Dilma vai esquentar o debate hoje". Ao lado deles, Rui Falcão, questionado sobre o vaivém de Dilma em relação ao aborto, disparava: "Mudar de ideia é um direito".

Geraldo Alckmin surgiu de gravata verde. Indagado se por trás do adereço haveria mensagem subliminar, entrou na onda: "É o nosso compromisso ambiental, nossa admiração pelo PV". Na outra ponta, José Eduardo Cardozo desabafava mexendo no celular: "Estou trabalhando 25 horas por dia". Aproveitava para abastecer a agenda de contatos de seu novo aparelho depois de pisar no iPhone e destruí-lo ao acordar sonolento.

Marta Suplicy apareceu mais descansada, após férias relâmpago na Bahia. Aliás, fotografada na viagem por uma revista semanal, a senadora - que faz pilates - diz que não gostou de ser clicada de biquíni. "Ihhhh isso aí dá uma ciumeira. E sem falar que eu parei a ginástica por causa da campanha. Se fosse um mês antes, estaria muito melhor", brincou.

Serra desembarcou do helicóptero na última hora com Monica Serra e foi direto ao estúdio. Indio da Costa também chegou no laço. Aloysio Nunes, eleito senador de virada, era só sorrisos. Até ensaiou dancinha com a cabeça quando a vinheta da Band mandou para o ar o introdução de João Carlos Martins, anunciando o início do debate.

No final do primeiro bloco, a euforia era geral com o inesperado calor do confronto direto entre Dilma e Serra. Antônio Palocci, José Eduardo Dutra e João Santana descontavam a tensão nos chicletes que mascavam sem parar.

Debate encerrado. Palocci saiu na miúda. Santana, também da turma dos discretos, questionado sobre se existe alguma chance de Lula ir ao debate da TV Globo, o último antes do segundo turno, balbuciou: "Nããão, ele assiste melhor em casa", caminhando para alcançar a petista. Dilma deixou o estúdio a toque de caixa, o tumulto levou ao chão a bancada com os microfones das equipes de TV. Já Serra fez questão de cumprimentar os funcionários da emissora. Antes de entrar no carro, conferiu no pescoço o seu mais novo amuleto: um santinho de Nossa Senhora Aparecida, que ganhou no Pará. Ufa, estava lá. / PAULA BONELLI

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