Direto da Fonte

Realidade

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2011 | 00h00

Vinte e quatro horas antes do pânico geral que acometeu ontem os mercados, o Banco Safra captou lá fora R$ 800 milhões, a juros de 10,25% ao ano.

Trata-se da maior captação externa privada, em reais, da história do Brasil. Sorte, competência ou ambos?

Pressão

Miou a ideia de "acordão" para lançar candidato único na eleição da OAB-SP, ano que vem. Apesar de ter havido discussões nesse sentido entre Luiz Flávio D"Urso e Antônio Cláudio Mariz, o presidente da ordem mandou, ontem, e-mail claro para a coluna: lançará candidato próprio.

E mais: frisou não haver "disposição para negociar tal acordo agora ou no futuro".

Pressão 2

Indagado pela coluna, Mariz mostrou-se "estupefato" com a notícia. "Estou surpreso que ele tenha mudado de postura sem ao menos me comunicar". A intenção, conversada recentemente entre ambos, era a de unificar a classe em SP.

100% viral

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, deve ficar de olho no Facebook. Movimento exigindo vacinação grátis contra HPV tomou conta da rede, reunindo mais de 600 mil pessoas.

Dados do ministério mostram: uma em cada cinco mulheres é portadora do vírus e 137 mil novos casos de câncer são diagnosticados anualmente por causa do HPV. Custo da imunização na rede privada? Cerca de R$ 1.200.

Corrida eleitoral

Bruno Covas não tem pressa em mudar seu título de eleitor de Santos para São Paulo, como gostaria Alckmin. O secretário, que ainda não se apresentou como candidato à Prefeitura, tem até outubro para transferir o documento.

Urubuzada

Está no forno a produção de 1981 - O Ano Rubro-Negro. Dirigido por Edu Rajabally e Eduardo Monsanto, traz depoimentos emocionados sobre a principal conquista do Flamengo: o título mundial de clubes, que completa 30 anos em dezembro.

Boi na linha

Atenção. Estão sendo enviados, pelo celular, torpedos falsificados do Faustão. A mensagem informa que a vítima foi "contemplada"com R$ 160 mil. E que o ganhador deve ligar, de telefone fixo, para um número com 13 dígitos...

Portuga

Antonio Grassi, da Funarte, viaja em setembro para Lisboa. Vai visitar, entre outros, o Instituto Camões, na tentativa de viabilizar o Ano do Brasil em Portugal, previsto para 2012.

Como a crise portuguesa andou ameaçando o evento, Grassi pretende otimizar algumas estruturas brasileiras em Lisboa, como o Rock In Rio: "Já marquei reunião com o Roberto Medina. Quero usar a infra dos shows para nossos espetáculos ", contou à coluna anteontem.

Portuga 2

Simultaneamente, por aqui os brasileiros terão uma série de eventos culturais portugueses.

À frente de alguns projetos de literatura, Inês Pedrosa, da Casa Museu Fernando Pessoa, está em busca de parcerias com instituições brasileiras. Quer trazer escritores portugueses ao País para conferências.

Estado laico, sociedade não

Em meio à difícil e explosiva situação no Oriente Médio, a embaixada americana promoveu, anteontem, jantar ecumênico na casa do cônsul Thomas Kelly, localizada nos Jardins, em São Paulo.

Tudo para comemorar o ramadã. Sentaram-se à mesa amistosamente representantes das religiões islâmica, cristã judaica e até da persa bahá''í. A partir das 17h20, logo depois de o sol se por, a prática muçulmano religiosa dita jejum por 30 dias durante todo o dia. Somente à noite, seguidores de Maomé podem comer e tomar água.

Jantaram todos distribuídos por seis mesas montadas na varanda. Não sem antes assistirem aos xeques Armando Hussein, da Sociedade Beneficente Muçulmana, Jihad Hassam Hammadeh, da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica da América Latina, e Houssan el Boustani, missionário pela paz mundial, estenderem seus tapetes na ampla sala. E rezarem voltados para Meca.

O que acha da prática? "Todas as religiões têm uma rotina pela qual seus fiéis conseguem refletir e chegar mais próximos a Deus. Nós também temos nosso jejum de reflexão", responde o rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista. Elogiando, à exemplo das outras 40 pessoas presentes, a iniciativa dos anfitriões. "Os americanos cumprem um papel no mundo na busca de justiça e paz, e São Paulo faz parte do movimento", justificam os xeques Armando, Jihad e Houssan, secundados pelo rabino.

Nessa busca, qual a melhor maneira de alcançar a paz: impondo-a de cima para baixo ou por meio de conscientização da população? O rabino acredita que o segundo caminho seria o mais correto. Entretanto, alerta existirem momentos na história quando ele não produz resultados.

"É o segundo ano que fazemos isso", explica Kelly, ao lado de seu xará e chefe, o embaixador Thomas Shannon. "É na diversidade que se encontra a força", pondera o representante maior dos EUA no Brasil, que veio de Brasília especialmente para o evento. "A miscigenação no País, bem como a que existe nos EUA, dá o sentido de fraternidade e respeito às diferenças".

Nos discursos, chamaram atenção palavras como "perseguir a paz", "democracia", "liberdade", que se somavam a uma outra bastante usada pelos islâmicos presentes: "justiça". Ao final, frase de Raul Meyer, da Casa de Cultura de Israel, sinalizou a importância do congraçamento, praticado pela Casa Branca durante o ramadã: "O Estado é laico, a sociedade não".

Em tempo: diversos oradores se desculparam pelos erros de... Português.

Colaboração

Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado.com.br

Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.br

Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado.com.br

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