Direto da Fonte

Guerra de estrategistas

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2011 | 00h00

Depois de esperar mais de 30 horas, Abilio Diniz voltou ontem de Paris para São Paulo sem conseguir ser recebido por Jean-Charles Naouri, do Casino, grupo francês de varejo sócio do Pão de Açúcar. "Eu queria ter apresentado a proposta, em relação ao Carrefour, como uma coisa boa para todos os acionistas", lamentou Diniz à coluna, antes de embarcar em seu avião.

Próximos passos? Diniz não quis especificar.

Guerra 2

O fato é que as relações entre o Pão de Açúcar e o Casino vêm se deteriorando há mais de um ano. Diferentemente do que muitos acreditam, a briga entre Abilio e Jean-Charles não começou com as conversas mantidas pelo Pão de Açúcar e Carrefour Brasil.

Elas são sim resultado da intransigência, segundo se apurou junto a fontes que conhecem o caso, de Naouri em sentar-se com Diniz.

Que queria discutir mudanças no contrato original.

Guerra 3

Este contrato, datado de 2006, dita que o Casino tem direito de assumir, em 2012, o controle da Wilkes (empresa que abriga o Casino e a família Diniz) comprando uma única ação do Pão de Açúcar.

Acontece que nesses anos pós associação, o Grupo Pão de Açúcar acabou crescendo muito mais que o esperado e o Casino muito menos que o projetado. O que tornou os termos do acordo obsoletos para os sócios brasileiros.

E assim, Diniz procurou alternativas, encontrando no Carrefour uma oportunidade de expandir o grupo sem perder o mando. Vai longe, a novela.

Para dentro

O BTG, de Andre Esteves, está de olho na carteira de veículos do HSBC. Tudo para rechear o Panamericano?

Bolinhas divididas

O SPFC é o dono oficial da Taça das Bolinhas, depois de julgamento do TJ-RJ, conforme antecipou esta coluna, ontem, em seu blog.

Os advogados do tricolor conseguiram derrubar a única decisão favorável ao Flamengo, com quem o clube disputa a posse do troféu. Cabe recurso.

Em tempo: a taça foi criada pela CEF, em 1975, para premiar o primeiro pentacampeão do Campeonato Brasileiro.

Filha da floresta

Sandra Werneck começa testes, em duas semanas, para escolher a sua Marina Silva: "Para fazer esta cinebiografia, não basta a atriz ser só famosa", conta a diretora. Wagner Moura, convidado para fazer o papel de Chico Mendes, ainda não respondeu.

A cineasta acaba de voltar de Paris, onde costurou parceria de coprodução com a Films d''Ici.

Filha do Brasil

Consultada, Marieta Severo quer ler antes o roteiro do filme sobre Dilma proposto pelo produtor Antônio de Assis. Fora disso, nada feito.

Kramer vs Kramer

Os Gradin, em pé de guerra com os Odebrecht, não vão receber dividendos da holding do grupo Odebrecht referentes a 2010.A empresa Kieppe, controlada pela família Odebrecht, entrou com petição solicitando na Justiça da Bahia a retenção do pagamento, enquanto as ações judiciais não forem julgadas em definitivo.

E para dar exemplo, a Kieppe abriu mão de receber também a parte dos dividendos que lhe é devida.

Kramer 2

Está marcada para dia 14 a audiência de conciliação entre os Odebrecht e os Gradin. Caso ela seja mesmo realizada, há esperança da reunião resultar em definição para o caso. Será?

Na frente

Bono Vox, fã do trabalho de Oscar Niemeyer, ganhará de presente um livro do arquiteto. Autografado pelo próprio e por Lula.

Rose e Gary Neelaman lançam o livro Trilhos na Selva - O Dia a Dia dos Trabalhadores da Ferrovia Madeira- Mamoré. Amanhã, na Saraiva do Morumbi.

Celso Kamura e Fause Haten confirmam presença no júri do Color Trophy, da L''Oréal. Em setembro.

Priscilla Simonsen Biancalana pilota Festival de Carnes Exóticas, no Freddy. De nada menos que rã, vitelo, javali a avestruz. Até agosto.

José Luiz Herencia autografa o livro de poemas Água Furtada. Hoje, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho.

Para comemorar os 30 anos da Cristal, Carlos Rios convocou Marcelo Faisal, Luiz Lara, Luiza Trajano, Rogério Fasano, entre outros, para atacarem de pizzaiolos da festa. Hoje.

Carlos Tufvesson ligou para José Junior. Queria informar ao coordenador executivo do AfroReggae que ele ganhou prêmio da secretaria carioca que dirige, a de Diversidade Sexual. Por sua vasta atuação contra o preconceito sexual.

Carta a Myrian

A fala de Myrian Rios no plenário na Assembleia Legislativa carioca deixou Wanderley Nunes revoltado. Ao ilustrar o porquê quer ter o direito de não empregar um homossexual, a deputada citou o exemplo da contratação de uma babá lésbica para cuidar de duas meninas e da certeira futura dificuldade de mandá-la embora, caso a PEC vetando discriminação sexual seja aprovada. E incluiu, no seu discurso, uma frase infeliz: "E sabe Deus se ela não vai cometer pedofilia."

Irado, o cabeleireiro heterossexual escreveu ontem carta para a ex-mulher de Roberto Carlos. Conta nela que seu filho sempre conviveu com todos os seus colaboradores homossexuais e sempre foi muito respeitado. "O caráter da pessoa não está em sua sexualidade."

Na redação, Nunes revelou triste passagem de sua vida. "Aos cinco anos, fui molestado sexualmente por um homem de 25 anos, fabricante de instrumentos musicais- que não era gay". E emendou: "Estou aqui expressando minha experiência como forma de alerta. Me preocupo com isso, com a pedofilia que está até dentro da Igreja Católica".

Encerrou recomendando a Myrian: "Avalie o espírito e o caráter da pessoas e não a sexualidade". PAULA BONELLI

Colaboração

Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado.com.br

Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.br

Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado.com.br

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