Direto da Fonte

Lé e cré

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2011 | 00h00

Tem gente maliciosa vendo pelo em ovo no fato de o Banco Bonsucesso ter patrocinado o Náutico, em jogo na semana passada. Fazem um link entre a generosidade do banco e a disputa na prefeitura do Recife pelo direito de emitir cartão de crédito consignado dos servidores municipais.

Ganha anteontem pelo banco.

Lé e cré 2

Ano passado, o Bonsucesso patrocinou o América e faturou a prefeitura de Natal.

Popping-up

Silvana Tinelli e Bob Vieira da Costa, sócios da novaS/B, inauguram na semana que vem... a nova/batata. Trata-se da primeira agência pop-up do Brasil, que, até junho, oferecerá gratuitamente ações de publicidade aos comerciantes da região do Largo da Batata, em São Paulo.

Com investimento de R$ 1 milhão, a unidade tem a curadoria de Paula Rizzo e equipe de 16 novos talentos escolhidos entre 563 inscritos.

Popping-2

E mais: a nova S/B disputou concorrência internacional da Organização Mundial da Saúde com três agências europeias.

Venceu e criará campanha mundial de doação de sangue.

Da vida

Barbaridade identificada pelo mutirão de defensores públicos que visitam cadeias no Estado. Depois de aguardar julgamento por um ano, uma mulher foi absolvida, mas não saiu da prisão por erro burocrático. A ordem do juiz para soltá-la não chegou à Cadeia Pública de São Bernardo do Campo.

A falha durou... dois meses.

Ano bom

O Design São Paulo, salão que acontecerá em parceria com a SPFW, homenageará os Irmãos Campana como os melhores designers do ano. Com direito a exposição comemorativa na Oca.

Zé Carioca

Mais um brasileiro no filme Rio, em cartaz no País. Criado em Nova York, Bernardo de Paula dubla o capanga Silvio.

Fase

Em meio a polêmicas na OSB, Roberto Minczuk perdeu sete quilos. E o maestro está com casos de dengue na família.

Na frente

Com jet lag da longa viagem à China, Dilma estava ontem propensa a desistir de ir ao encontro do Lide em Comandatuba. Que começa hoje.

Antonio Grassi começou a restauração do Teatro Brasileiro de Comédia, em SP. E em junho reinaugura o Teatro Dulcina, no Rio.

O livro Coisas de Mãe Para Filhas será lançado dia 27 na Livraria da Vila da Lorena. Entre as autoras, Lygia Pereira da Veiga, Maria Ignez Barbosa, Marina Silva, Cláudia Costin e Monja Coen. Organizado e compilado por Hilda Lucas.

Syomara Crespi e Mariana Berenguer lançam suas coleções de joias dia 27, na Galeria Luisa Strina.

Eric Frechon, três estrelas Michelin e do requintado hotel Le Bristol de Paris, fará dois jantares no La Brasserie Erick Jacquin, dias 17 e 18 de Maio. É a primeira vez do chef no Brasil.

A Ford Models abre inscrições para o concurso Faces. Podem participar homens e mulher entre 14 e 25 anos. Até o fim de maio.

A Fundação Nelson Mandela publicará imagens históricas do ex-presidente sul-africano. E pede ajuda para identificar fotos que já estão no arquivo da instituição. As imagens estão sendo colocadas semanalmente no site.

O clima está cada dia pior para Walter Feldman no ninho tucano. Credo.

Foco na Síria

Rafik Schami nasceu em Damasco, Síria, e vive na Alemanha desde 1971. O escritor, mais conhecido por seu romance O Obscuro do Amor, comentou por e-mail os últimos acontecimentos de seu país natal.

Qual é sua opinião sobre a chamada "Primavera Árabe"?

Acredito que entrará para a História. Nunca houve uma revolução vitoriosa pacífica contra ditadores altamente armados. Estes civis corajosos lutam contra forças aéreas, mercenários, matadores profissionais, e ditadores como Kadafi numa luta heroica. Para mim, é um milagre isso tudo.

E sua expectativa em relação ao destino da Síria?

A Síria é um problema difícil. Assad e seu clã têm serviços secretos que são competentes em guerras civis. São tão refinados que sequer tentam libertar as colinas de Golan (ocupadas por Israel desde 1967). Entretanto, querem libertar tanto a Palestina -com o Hamas, a pior facção- quanto o Líbano -com a ainda pior, Hezbollah. Trabalham de mãos dadas com a CIA e com os rebeldes do Iraque, fazem aliança com a Arábia Saudita contra o Bahrein, e acham positivo o massacre dos sauditas.

O que dificulta a situação lá?

Os revolucionários precisam não só vencer um regime extremamente articulado, como resolver um grande problema: o regime é dominado por uma minoria religiosa (10%), os alauítas. No entanto, tenho confiança que os sírios vão conseguir. A população síria sempre foi mais civilizada que seus governantes.

Especialistas alertam para a subida de governos radicais islâmicos no lugar das ditaduras. Acredita nessa possibilidade? Este argumento de que caso uma ditadura árabe desapareça os islâmicos virão foi muito propagada pelos próprios ditadores. Os islamistas não têm nenhuma chance real na Síria. São impopulares porque sempre estiveram ligados à história da Arábia Saudita. Não têm programa para os problemas modernos. Querem o Califado da Idade Média. Sem dinheiro, os islamistas são ridículos. Só o dinheiro dos sauditas e a tecnologia da CIA têm tornado Bin Laden o que ele é. Mas o perigo existe, claro. Principalmente se o Ocidente não apoiar o desenvolvimento democrático.

Por anos, parte do Ocidente apoiou ditaduras nos países árabes. O que pensa disso?

É uma vergonha para as democracias ocidentais que tiveram conhecimento de depósitos de bilhões de dinheiro roubado em seus bancos. Mais de US$ 150 bilhões para Kadafi, US$ 80 bilhões para Mubarak. US$ 70 bilhões para o clã Assad e cerca de US$ 10 bilhões do Saleh iemenita. Só a família saudita tem nos EUA mais de US$ 500 bilhões, e na Suíça, outros US$ 300 bilhões. Dá para imaginar isso? É dinheiro da máfia.

Como avalia a intervenção desses países na Líbia?

O Ocidente hesitou longamente. Já era quase tardio quando Kadafi decidiu que o centro da revolução, Benghazi, deveria vir abaixo. Seus soldados marcharam com as armas mais modernas que tinham contra a cidade. Ele queria dar o exemplo. Depois veio a ajuda, graças a Deus, e dessa vez de forma inteligente. Não interferem em terra. Ela protege os civis e deixa Kadafi para o seu povo. Isso é muito esperto.

No seu livro O Obscuro do Amor o protagonista também se engaja contra um regime autoritário. Há esperança para o futuro dos países árabes?

Sim. Esta área é uma civilização muito antiga. Foram 8 milhões de egípcios a se manifestar em quatro cidades, sem um único incidente. A esperança é justificada, porque o petróleo traz milhões, e faz desta área um paraíso que precisa de recursos humanos e tecnologia do exterior. A paz com Israel será possível porque os acordos com os ditadores não resultavam em paz, apenas em cessar-fogo. Israel também aprenderá um modo de resolver o conflito de um século com a Palestina. Preservando o direito absoluto dos Estados à existência pacífica.

MARILIA NEUSTEIN

Colaboração

Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado.com.br

João Luiz Vieira joao.vieira@grupoestado.com.br

Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.br

Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado.com.br

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.