Direto da Fonte

A conferir

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2010 | 00h00

Quem conhece Jorge Gerdau ou Abilio Diniz sabe que convidar um deles para ocupar algum ministério no governo Dilma seria somente uma maneira de prestigiá-los. Há tempos, ambos procuram deixar claro que não têm intenção de morar em Brasília.

Agora, Gerdau sentado na cadeira da presidência do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social é hipótese viável. Tem tudo a ver com a bandeira de gestão içada pelo empresário.

Confirmado

Dilma "gastou" saliva em convencer Sérgio Cabral para liberar seu secretário Sérgio Cortês que assume o cargo de ministro da Saúde. A amigos, o governador contou ontem que chegou a pensar em mantê-lo de tanta falta que fará.

Braços abertos

José Júnior é incansável na sua luta a favor da paz. O coordenador do AfroReggae espera um ok de Sérgio Cabral para produzir grande show de música gospel. Dia 18, no Complexo do Alemão.

Na moita

Questionado se os traficantes do Rio podem fugir para São Paulo, Luiz Roberto de Godoy, delegado da Polícia Federal - que lançou, anteontem, o livro Crime Organizado e Seu Tratamento Jurídico Penal - é categórico. "Nada impede que eles migrem para o Estado. Mas não acredito que atuem aqui", opinou. Por que? O delegado diz que o PCC não permitiria.

Na moita 2

Apesar do poder bélico, Godoy considera as facções cariocas amadoras. "Brigar de frente com o Estado a ponto de praticar atentados é péssimo para o negócio das drogas", pondera.

Diz que o PCC, depois de desarmado, agora atua no anonimato, mantendo estrutura empresarial.

Lances do bem

O leilão em prol do Instituto Guga Kuerten, anteontem, na Pinacoteca arrecadou cerca de R$ 1,1 milhão do R$1,5 milhão necessário para sustentar as crianças ano que vem. Vendeu-se de tudo, de vinho a aulas com Guga.

Eleita a aquisição mais "romântica", a compra de vestido de noiva da grife Emanuelle Junqueira por Armando Lebeis. Para casar de novo com Balia, sua mulher.

Portas fechadas

O prédio é público e a USP tem direito de fazer o que quiser. No entanto, o mercado de arte estranhou a decisão de João Grandino Rodas de desalojar o acervo do Instituto de Arte Contemporânea. O reitor da USP pediu de volta o espaço cedido pela universidade em 2001. O convênio vence em janeiro e o IAC recebeu notificação de que não será renovado. Rodas quer abrigar ali a coleção do Banco Santos.

A lamúria entre os amantes da arte é grande. E pode ser traduzida em duas perguntas: por que a USP/MAC não usa para tanto o espaço de 40 mil m² do ex-Detran, que o Estado cedeu? A coleção de Edemar Cid Ferreira não cabe em outro lugar dentro do latifúndio da USP no Ibirapuera, como o próprio MAC?

Para eles, a justificativa do fim do convênio - depois de sete anos e R$ 5 milhões de investimento levantados para restaurar o espaço - não faz sentido.

Pré- aplauso

Bráulio Mantovani e Fernando Meirelles já têm missão para o ano que vem. Tirarão do baú um projeto antigo: o de adaptar Grande Sertão: Veredas para o cinema. Bráulio, aliás, lança hoje seu primeiro romance, Perácio-Relato Psicótico, na Livraria da Vila da Lorena.

Tempo na amizade

Juca Ferreira tem recebido apoio da classe artística para ficar no cargo de ministro da Cultura. Anteontem, foi a vez de José Roberto Walker na organização de mais uma edição do #FicaJuca, no Banana da Terra.

O senhor fica no MinC?

Se depender da área cultural, eu estou bem. Mas a presidenta tem que se sentir confortável para escolher.

Volta para o PV?

Como suspendi minha filiação até meados do ano que vem, há tempo para refletir. Tenho razões para querer voltar: militei 23 anos e sou a cara do PV. Mas tenho motivos para achar que já esgotei.

Quais?

O PV tem se atraído por práticas tradicionais. Filiou o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, que não tem vínculos ideológicos. Lançou para governador da Bahia o Luiz Bassuma, negação de todo o programa do partido. O PV está mais pragmático e menos programático.

Sua relação com Fernando Gabeira está abalada?

Não, mas achei que ele reagiu mal quando manifestei minha opinião sobre a maneira que tratavam o governo Lula. Gabeira não quis discutir o assunto.

Mas vocês foram amigos...

Somos. Mas estamos dando um tempo na amizade. Sua grosseria me surpreendeu. Ele é sempre tão elegante. Daí me disse que eu estava chamando aquela discussão porque queria manter o meu "carguinho". Muito chulo para a imagem dele.

Saudades de quando eram alinhados ideologicamente?

Não. Me desloco no tempo com muita naturalidade.

E como está a amizade com o Alfredo Sirkis?

Também é amigo, mas ele é mais... na época que trabalhávamos juntos, botei nele um apelido amigável: "general Jaruzelski", aquele polonês "brabão", que usava óculos de fundo de garrafa. Era brincadeira, mas reflete sua personalidade forte, para ser eufemista.

E vai dar o apelido de Jaruzelski para Dilma também?

Não (risos).

Ela tem fama de general...

Tem. Eu diria que não totalmente sem razão. Imagine uma mulher comandar um ambiente masculino como o da política. É preciso ter um nível de... mas a relação sempre foi muito boa.

E se não ficar com o MinC?

Não sei. Em janeiro nasce o Rafael, meu terceiro filho.

DÉBORA BERGAMASCO

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