Direto da Fonte

As funções do BC

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2010 | 00h00

Está entre as funções do BC supervisionar o sistema financeiro. E não auditar contas de bancos. "Se assim fosse, o BC se tornaria a maior empresa de auditoria do mundo", ponderou ontem, em conversa com a coluna, Henrique Meirelles. Com um agravante: aprovados os números, a instituição financeira automaticamente seria garantida pelo governo federal. O que, na opinião de Meirelles, aumentaria o chamado "moral hazard".

Na mão contrária do que é pregado na convenção da Basileia: a de diminuir os riscos dos BCs pelo mundo.

Funções 2

Com o BC sob fortes críticas em função do Panamericano, Meirelles destaca que a autoridade monetária localizou, a tempo e a hora, o problema. "Sem prejuízos maiores a não ser para o próprio acionista controlador. " Não nega nem admite que foi sua a ideia de usar o Fundo Garantidor de Crédito para resolver a cratera aberta na instituição de Silvio Santos. "O FGC é privado e pertence aos bancos. Ao governo, cabe normatizar seu funcionamento por meio do Conselho Monetário Nacional".

Eleição

Ao entrar no site do Tribunal Superior Eleitoral para dar uma olhada nas contribuições dos bancos na última eleição, esta coluna se deparou com algumas curiosidades. O Bradesco, pelo banco em si, deu R$ 10 milhões somente. Mas outros dois bancos de sua propriedade, o Alvorada e o Bankpar, deram, respectivamente, R$ 33,2 milhões e R$ 2 milhões. Uma soma total de R$ 45 milhões.

O Itaú/Unibanco, por sua vez, ofereceu R$ 14,3 milhões.

Eleição 2

Chama atenção também a oferta de dois bancos médios. A do BMG, de R$ 29,2 milhões, o dobro do doado pelo Itaú. E do Cruzeiro do Sul, de R$ 6, 9 milhões. Em comum, ambos operam forte no setor de crédito consignado. O Panamericano, de Silvio Santos, não contribuiu com nada.

Lebre por gato?

Luiz Sandoval revelou ao Estado que o Panamericano irá contratar a PriceWaterHouse Coopers para apurar fatos e motivos que levaram o banco à situação em que se encontra. Com a concordância do BC e da CEF. Trata-se da mesma Price que auditou as contas do Banco Noroeste e que não descobriu o gigantesco desvio de recursos à época. E que hoje está sendo processada pelos ex-donos do banco.

Glamour

Se quiser, Dona Marisa passa a pilotar suas caçarolas em fogão Viking, uma das marcas mais sofisticadas do mundo. Oferta do fabricante. A primeira-dama decide se aceita depois que deixar o cargo.

Candidata a musical

Chris Martin, do Coldplay, faz escola. Sua mulher, Gwyneth Paltrow, roubou a cena em premiação nos EUA. Cantou Country Strong, tema de seu novo filme.

Genro de peixe...

Carlinhos Brown anda agradando a plateia feminina. Escolheu Carolina, um dos sucessos do sogrão Chico Buarque, para o repertório do seu show. Com direito à participação do autor em telão.

Pop "deleuziano"

Depois de 13 anos na EMI, Paulinho Moska chegou à conclusão de que precisava de tempo. Hoje, o músico vive as dores e delícias de ser independente. E mostrou, anteontem, Muito e Pouco, seu novo trabalho, no Bourbon Street onde conversou com a coluna.

Por que seis anos sem gravar nada novo?

Na EMI, tinha obrigação de produzir um disco a cada ano e meio. Quando saí da gravadora, sabia que daria uma freada. Trabalhei o mesmo disco até o processo se esgotar. Além disso, virei fotógrafo.

Foi difícil ser independente? Não. Foi muito importante. Aos poucos percebi que meu trabalho exigia velocidade mais baixa. O Muito e Pouco é sobre essa desaceleração. As coisas agora têm seu próprio prazo. Essa turnê vai durar o tempo que for preciso.

Como começou a parceria com Jorge Drexler?

Uma fã uruguaia me deu um disco dele. Com um bilhete muito bem escrito. Dizia que eu e Drexler éramos parecidos. Pela qualidade do texto dela, acreditei. Suas canções bateram muito forte, entrei em contato com Jorge e disso nasceu uma grande amizade.

É verdade que para fazer o novo disco você se inspirou no filósofo Gilles Deleuze?

Foi, como diria Deleuze, um "acaso dos encontros". Eu tinha 26 anos quando fiz um curso com Claudio UlPiano, que virou meu mestre. Ele é um "deleuziano". Daí uma coisa linda aconteceu: encontro de professor e aluno. Produzi músicas logo de cara.

Qual é a importância dessa formação para sua música?

Quero fazer uma música pop que possa flertar com a filosofia. Não me considero um especialista em nada. Nem em música. Sou um compositor. Fazendo muitas coisas, me livro da obrigação de ser o melhor em alguma delas.

MARILIA NEUSTEIN

Na frente

Vale e PUC-SP assinaram ontem convênio para fomentar pesquisas na área do direito ambiental. Investirão R$ 1 milhão em bolsas de estudos sob supervisão do Instituto Tecnológico Vale.

Andrea Matarazzo pilota jantar para Emanoel Araújo, Terça-feira, na Sala São Paulo.

Clemente Napolitano organiza jantar em torno de Giancarlo Bolla pela comenda Cavaliere Della Repubblica Italiana, dada pelo cônsul Mauro Marsili. No dia 23.

Fernando Vilela e Flávia Bertinato abrem mostras individuais. Quarta-feira, na Galeria Virgílio.

Jorge Lucki lança livro A Experiência do Gosto. Dia 22, na Livraria da Vila da Lorena.

Correção: a primeira loja própria da Chanel do País está no Cidade Jardim. A do Iguatemi é a segunda.

Colaboração

Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado.com.br

Gilberto de Almeida gilberto.almeida@grupoestado.com.br

Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.br

Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado.com.br

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