Direto da fonte

Vibração positiva

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 00h00

Como faz todas as segundas-feiras, Abilio Diniz enviou ontem uma mensagem para os 145 mil funcionários do Grupo. Tema? Não poderia ser outro: a eleição da primeira mulher presidente no Brasil. Antes dela, no comando do País, somente a princesa Isabel.

Entre elogios ao governo Lula e a necessidade de correção de alguns erros cometidos no passado, o empresário reiterou sua fé no ajuste fiscal, na revisão dos gastos públicos e na reestruturação da máquina governamental em busca de maior eficiência e custos mais baixos.

E ao fim, o empresário dilmista afirma: "Dilma tem plena condição de administrar e superar as dificuldades para o Brasil continuar a crescer".

Calmaria

Os mercados financeiros operaram ontem tranquilos, em ritmo de feriado. Era dada como certa informação publicada pela coluna no domingo. A de que Guido Mantega e Henrique Meirelles permanecem em seus respectivos cargos por pelos menos seis meses. Bem como Paulo Bernardo, no Planejamento.

Consequência de pedido de Lula para Dilma.

Guardião

Meirelles, no entanto, teria condicionado permanência temporária para um ministério que lhe desse visibilidade.

Para dirigir o BC? Voltou-se a falar em nomes como o de Fábio Barbosa. Na formação do primeiro governo Lula, o executivo foi cogitado antes da escolha de Meirelles.

Peça chave

Grande incógnita, cuja definição é ansiosamente esperada por banqueiros e empresários, é o destino de Antônio Palocci.

Falou-se em Casa Civil. Depois, em esvaziamento da ex-pasta de Dilma com intuito de fortalecer a secretaria-geral da Presidência para abrigá-lo.

A aposta da vez ontem era a... Petrobrás.

Prêmio?

Para Aloizio Mercadante estaria sendo reservado o cargo de ministro da Ciência e Tecnologia.

Tipo exportação

Serra prepara-se para viajar e descansar. Escolhe lugar onde possa andar em paz e... Anônimo.

Acerto de contas

Após agradecer a Sérgio Guerra, Alckmin e Andrea Matarazzo, em pronunciamento anteontem, Serra teve que administrar os suspiros das militantes que pediam: "E o Indio, o Indio?".

Riu e emendou: "Quero agradecer ao meu vice, que é muito popular".

Acerto de contas 2

Alckmin afirma ter sido pego de surpresa por Serra, que não economizou agradecimentos por seu empenho na campanha. "É como se eu tivesse sido eleito pela segunda vez", contou Geraldo.

Barrados no baile

A segurança estava para lá de rígida na suíte reservada para Dilma receber cumprimentos, anteontem, no Naoum Plaza em Brasília. Eduardo Campos e Magno Malta foram barrados na porta e liberados só depois de muita reclamação.

Na frente

Lucas Di Grassi, piloto de Fórmula 1, será homenageado em jantar amanhã, na casa de Ronaldo Sampaio Ferreira. Comemoram o patrocínio da Bombril ao esportista.

Inês Pedrosa chega de Portugal para lançar seu novo livro Os Íntimos, sexta, na Livraria da Travessa, Rio. Com direito a Caetano Veloso lendo seus trechos preferidos.

Modesto Carvalhosa e Nelson Eizirik lançam Estudos de Direito Empresarial. No escritório da dupla que completa 50 anos de funcionamento. Dia 8.

Maurício Pazz e Rodolfo Stocco estreiam a programação musical do Ponto do Livro. Quinta-feira.

Andrucha Waddington twittou e repercutiu no meio cultural. Quer Celso Amorim no Ministério da Cultura do governo Dilma.

Na internet ontem: "Se o Serra tivesse levado o Ganso e o Neymar..."

Day after

Passadas as eleições e diante de uma abstenção que atingiu 21,5%, a coluna conversou com o jurista Miguel Reali Júnior sobre a adoção do voto facultativo e uma eventual mudança no sistema eleitoral.

A democracia brasileira está preparada para a adoção do voto facultativo?

Eu diria que não. Isso porque não adianta mudar de obrigatório para facultativo sem alterar o sistema eleitoral. Ou seja, é preciso fazer antes a reforma política. Mesmo porque, até certo ponto, o voto hoje é facultativo, pois a simples justificativa elimina qualquer tipo de sanção. Você não pode pensar num voto opcional analisando apenas uma eleição majoritária.

Qual seria a melhor saída?

Acho que a opção ideal seria a adoção do sistema distrital misto, aquele em que o eleitor vota no candidato do distrito e na lista de nomes indicados pelo partido. Isso evita a eleição dos Tiriricas, já que os partidos são obrigados a selecionar candidatos mais qualificados e identificados com os distritos que representam. Ou seja, autênticos líderes políticos.

Existem mais benefícios com a adoção desse sistema?

No sistema distrital misto, o trabalho do parlamentar é acompanhado de perto por quem o elegeu. Existe um comprometimento efetivo com o eleitor. Pesquisas mostram que 30% das pessoas já não se lembram mais em quem votaram em 3 de outubro. Quer exemplo melhor para que o parlamentar deixe de assumir

compromissos com suas bases?

Acredita que a Dilma poderá fazer a reforma política necessária?

Ela precisará de força política para cacifar a reforma. E os deputados, por sua vez, devem aceitar a mudança no sistema pelo qual foram eleitos. O grande problema é que eles resistem a qualquer alteração que signifique eventual prejuízo no futuro.

GILBERTO DE ALMEIDA

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