Direto da Fonte

Lição Cultural

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

Ainda bem que o Unibanco se uniu ao Itaú e não ao à EBX. Pelo que se ouviu anteontem à tarde no CEO Summit, promovido pela Endeavour, a noção de cultura empresarial de Pedro Moreira Salles e Eike Batista são totalmente diversas.

Para uma plateia lotada de new-empreendedores, no Hotel Unique, em Sampa, Moreira Salles explicou que a cultura empresarial é um instrumento de gestão na busca de vantagens comparativas. A implantação de valores que, por si só, selecionam quem vai ou não vai trabalhar dentro de uma empresa. Já Eike projetou no telão um organograma cujo centro é o Sol, denominado "The Zone". Circulado por divisões-satélites como a da transparência, pensar grande, pitada de sorte, paixão, capital de risco e... humildade.

As diferenças são tantas que se refletem até na maneira de vestir: enquanto Salles trajava terno convencional, Eike apareceu todo de preto sem gravata.

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Em poucas palavras, dá para arriscar dizer que Moreira Salles defende modelos democráticos, onde lideranças naturais têm espaço para surgir sem que o indivíduo, entretanto, possa se sobrepor ao conjunto. Eike, por sua vez, descreveu linha personalista, calçado em lideranças formadas fora da empresa, atraídas pelos altos ganhos. Sequer na forma de remunerar um executivo houve concordância.

Eike chegou a fazer autocrítica. "Exagerei. Acabei criando muitos gatos gordos do tipo Garfield", brincou. Mantém, entretanto, sua pregação por mais generosidade do empresário brasileiro na divisão de lucros.

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Para Beto Sicupira, um dos responsáveis pela implantação da Endeavour no Brasil há dez anos, este tipo de debate reflete a realidade: não há receita de bolo para o sucesso do empreendedorismo. "Cada um tem que encontrar sua forma de crescer", explica.

A instituição sem fins lucrativos oferece programas de estratégia. Para ser selecionado (hoje são 51 empresas), é necessário, entre outras, faturar de R$ 2 milhões a R$ 30 milhões.

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Entre os muitos momentos de descontração, Eike fez a plateia rir alto ao descrever a necessidade de transparência na gestão, inclusive com os "banqueiros que estão no topo da cadeia alimentar". No que foi rapidamente rebatido pelo bem-humorado Moreira Salles: "Não sou eu que estou no topo da lista da revista Forbes".

Nobelíssimo

Novo Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa faz escala em São Paulo antes de participar do Fronteiras do Pensamento, quinta, em Porto Alegre. Onde apresenta uma conferência sobre cultura.

Marcou para quarta-feira jantar com FHC, Roberto D" Ávila e patrocinadores do evento.

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Das visitas ao Brasil, Llosa destacou, para próxima revista TAM nas Nuvens, a que fez em 1979. Foi quando conheceu as paisagens do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, se inspirando para escrever A Guerra do Fim do Mundo. "Talvez uma das maiores emoções que tive na vida foi estar no lugar onde ficava Canudos."

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Llhosa revelou também, com uma certa inveja, ser apaixonado por hipopótamos: "Suas principais ocupações são tomar banho, chafurdar na lama e fazer amor - podem passar 12 horas copulando".

Verdes mares?

O PT não está tão preocupado com o apoio do PV à Serra. Segundo contou ontem alta liderança do partido, não se acredita que o partido, por si só, alavanque tantos votos.

Quanto a Marina, a aposta é que ela se manterá neutra.

Rostinho

Bruna Furlan, terceira candidata a deputada federal mais votada em São Paulo, é formada em Direito. Mas ainda não conseguiu passar no exame da OAB.

Futuro político

Apesar do baque da derrota, Netinho nem pensa em desistir da política. Quer concluir o mandato de vereador e terminar a faculdade na Escola de Sociologia e Política de SP, trancada por causa da campanha. Programas de TV? Garante que não aceitará propostas, por enquanto. E shows nos fins de semana, "apenas" para completar o ganha pão.

Na frente

A L"Oreal está trazendo para o Brasil uma equipe só para cuidar do selo Roger & Gallet. Tem plano de expansão para o País.

Nem os efeitos especiais escaparam da onda de sustentabilidade no SWU. Para iluminar os figurinos da performance do Light Energy Show, a produtora Digital 21 está usando energia solar. Segunda, em Itu.

Cândido Vaccarezza entrou em ninho errado ontem na coluna. Não é tucano.

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