Direto ao coração

Vindo pela primeira vez ao Brasil, Lionel Richie revela receita de emoldurar romances

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

Hello, Endless Love, Easy, Lady, Say You Say Me, All Night Long, Dancing on the Ceiling. O hit parade desse cantor é mais extenso que um discurso de Fidel. Vendeu mais de 100 milhões de discos. Com 30 anos de carreira, fez gerações inteiras se desmilinguirem ao som de sua voz macia e seus versos românticos. Integrou The Commodores, sinônimo de excelência vocal coletiva. Lionel Brockman Richie, Jr, 61 anos, é o nome dessa instituição. Mr. Lionel Richie falou ao Estado esta semana sobre sua primeira vez na América Latina (toca no dia 28 de agosto, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e 29 de agosto, na HSBC Arena, no Rio; ingressos entre R$ 150 e R$ 650).

Por que essa é apenas sua primeira vez no Brasil?

É uma boa pergunta. Estive em todos os locais do planeta: Ásia, Europa, África, Oceania, América. Mas o Brasil, com o qual sempre sonhei, nunca deu certo. Tenho tantos fãs aí, não consigo explicar. Apenas digo que vai ser um grande momento.

Qual banda traz ao Brasil?

A mesma com a qual venho excursionando nos últimos 5 anos, com direção artística do baterista "Chuck" Bucker. Não há cantoras de apoio, porque todos na banda cantam, como no tempo dos Commodores.

Por falar em Commodores, ouvi dizer que você pensa em reunir a formação original...

Estamos tentando isso há muitos anos. Mas algo sempre acontece. Há quatro anos, ia dar certo, mas aí o tecladista da formação original, Milan Williams, morreu de câncer. Ainda assim, os outros membros pensam em uma reunião. Talvez essa surpresa possa ser anunciada em breve.

James Brown, Barry White e Michael Jackson estão mortos. O funk e o pop estão perdendo suas referências...

Falávamos sobre isso por esses dias. É inacreditável. O mais louco é que morreram jovens, com muita coisa ainda para fazer, muito a contribuir. Não sei o que acontece. Mas há um fenômeno também acontecendo, com muitas vozes emergindo na música moderna, gente como Beyoncé, Chris Brown, Alicia Keys, John Legend. É algo fantástico. O que aconteceu foi que, na América, o R&B foi colocado de lado durante muito tempo pela força do rap. O hip-hop veio muito forte, e os talentos vocais, os cantores, ficaram em segundo plano. Foi uma luta para sobreviver. Agora, parece que a força do vocal, a força do ritmo, está de volta.

Você mencionou Chris Brown. É um artista polêmico (Brown agrediu a ex-mulher, Rihanna).

O que posso dizer é o seguinte: nunca se deve personalizar demais o talento. Quando elogio Chris Brown, não falo de sua vida pessoal, mas de seu talento. Nisso ele é especial.

Qual é sua visão sobre as novas tecnologias na música?

O que tento, eu e meus amigos, é abraçar as mudanças. A verdade é que não é possível voltar atrás, o que devemos fazer é nos adaptar. O download e a música digital são as realidades de hoje. O contrabaixo elétrico, quando veio, foi um ganho. Comecei a usar o computador, e confesso que amo o jeito de gravar atual, porque você não tem que refazer vocais todo o tempo. O grande ponto é que tudo vem pela internet e vem de graça, mas fazer música não é um hobby para nós, músicos. Vivemos disso. Temos de ser remunerados por isso. A boa notícia é que, pelo menos para mim, nada substitui a performance ao vivo, o show real.

A sua lista de sucessos é impressionante. Como explica isso?

É engraçado: quando comecei a compor, as pessoas diziam que seria melhor fazer algo mais pesado, mais físico. Mas eu sempre respondi que canções de amor são para sempre. As pessoas namoram ao som de um canção de amor, e se divorciam ao som de uma canção de amor. Não importa se é jovem ou velho, mulher ou homem, gay ou hetero: você já amou ou vai amar alguém. Uma das receitas para não ficar velho é amar.

Você fala no amor como força atemporal. Está amando agora?

(Risos) Não, estou sozinho, e espero ficar assim por um tempo. Quero aproveitar minha liberdade por um momento, me divertir bastante. Também estou muito ligado aos meus netos, e tenho cuidado de Nicole (Richie, filha do cantor, também atriz, estilista e socialite). Ser avô é maravilhoso, eles são a coisa mais preciosa do mundo.

Sobre seu amigo Michael Jackson: como analisa a morte dele?

Uma perda imensa. Eu tentei aconselhá-lo, disse que o importante nessa vida é sobreviver aos negócios, preservar o talento. Eu disse a ele: "Tente ser uma lenda viva!". Mas o que aconteceu é que era tão famoso que não conseguia mais viver a vida cotidiana, estava sufocado.

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