Directv exibe "Ao Sul da Paisagem"

Paisagem e personagem. Estes são os dois pontos centrais da série de documentários que a Directv exibe nesta sexta-feira, no canal 605, às 19, 21 e 23 h. O premiado Ao Sul da Paisagem, realização da Grifa Cinematográfica, é composto por três episódios de meia hora cada um: A Paisagem e o Sagrado, Paisagem e Memória e Caminhos da Paisagem.Dirigido por Paschoal Samora, os documentários - que serão exibidos em seqüência - nasceram de uma longa viagem de pesquisa nas fronteiras do Brasil com Paraguai, Argentina e Uruguai.Com uma narrativa delicada e a belíssima fotografia de Helcio Alemão Nagamine, Ao Sul da Paisagem é, principalmente, a constatação de quanto o meio influencia o jeito, o humor e a maneira de ser das pessoas. O primeiro episódio, A Paisagem e o Sagrado, mostra o que aconteceu com os índios guaranis com a chegada de Itaipu, as explosões que desviaram curso de rio e formaram o grande Lago de Itaipu, deixando, no fundo dele, todo o passado da tribo. Onde hoje está o lago, ficava o cemitério de Jacutinga, onde foram enterrados antigos membros da tribo. Um solo sagrado, que permanece vivo na memória dos remanescentes. O guarani Casimiro Tupã lembra o dia amanhecendo, antes de existir Itaipu: eles tinham terra boa, boa caça e água saudável.Acordavam ouvindo pássaros, bichos brincando e os índios cantando com a natureza. Agora, vivem confinados na aldeia Ava-Guarani de Santa Rosa do Oco´y. Às belas, e muitas vezes, tristes imagens soma-se o canto profundo de Marlui Miranda. Apegados às tradições e feridos na alma pela chegada do progresso, eles ainda tentam passar para as novas gerações as antigas histórias, os cantos e, principalmente, a vontade de ainda ter "terra boa, boa caça e água saudável". O segundo episódio, Paisagem e Memória, mostra o Farol da Solidão, em Mostardas, no Rio Grande do Sul, e a luta de Pedro Júlio de Souza, um antigo morador, contra as areias que vão avançando, formando um deserto que altera a paisagem e a vida de cada um. Pedro Júlio conheceu aquele lugar com muita água e muito peixe. Ele conta que uma empresa se instalou por ali, plantou pinus e tudo começou a mudar. O que era verde sumiu, a areia avançou, famílias se desestruturaram (porque uns queriam ficar, outros não agüentaram e partiram). Quem ficou, já se acostumou à rotina de se mudar, deixando os esqueletos das velhas casas como um símbolo na paisagem. Pedro Júlio canta ao violão: "Quem mora no farol da solidão/ pode se contar feliz/ porque mora num deserto/não vê, não ouve e não diz". Caminhos da Paisagem é conduzido pelas lentes de um grande personagem: Orquizo Rei de Oliveira, fotógrafo tradicional de Urubici, Santa Catarina, onde foi filmado este último episódio - que, como o segundo, tem trilha sonora de Sandra Peres e Paulo Tatit. Do "retratinho" 3 x 4 às fotos de casamento, a história daquela cidade e de seus moradores ficará registrada para sempre graças à romântica figura de Orquizo. Um belíssimo programa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.