Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Dirceu defende 'limites' para publicação de biografias

Para ex-ministro, 'têm razão' os biografados que pleiteiam autorização judicial

Fernando Gallo, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2013 | 22h34

O ex-ministro José Dirceu afirmou ontem que "têm razão" os biografados que pleiteiam pedido de autorização judicial para a publicação de biografias e disse que é "preciso ter um certo limite".

Ele foi questionado a respeito da polêmica envolvendo os músicos Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Erasmo Carlos, que fundaram o grupo Procure Saber com o objetivo de entrar na cruzada contra as biografias não autorizadas.

"É um tema muito polêmico, acredito que os biografados têm sua razão de pedir que esteja autorizado, mas nós temos que tomar cuidado, porque precisamos preservar sempre a liberdade de quem quiser escrever, com as restrições que a lei impõe", declarou Dirceu em entrevista após evento do portal Carta Maior. 

O petista, que está condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do mensalão, disse ser "ruim" deixar para o STF a decisão sobre o caso. "Acho ruim colocar no Supremo isso porque vão deixar formar uma opinião na sociedade. Tinha que deixar os tribunais decidirem, formar jurisprudência. Acho que precisa ter algum limite".

O ex-ministro opinou ainda que "o poder judiciário não tem coragem, muitas vezes, de enfrentar a questão do direito de resposta, do direito à honra".

Dirceu, que é personagem do recém publicado e não autorizado Dirceu - A Biografia, do jornalista Otávio Cabral, da revista Veja, contou ter incentivado amigos que foram procurados pelo jornalista a darem depoimento para o livro, mas declarou que o resultado da obra "não foi bom".

O ex-ministro, contudo, disse não ter "ânimo" de impedir que alguém escreva ou faça algum filme a seu respeito. O petista afirmou ainda que, para ele, o problema das biografias autorizadas não é o aspecto econômico, mas o crime contra a imagem e a honra.

"Nem me preocupa a questão financeira, ainda que seja uma questão real. Se vender 1 milhão de exemplares, e você ganhar R$ 4 por exemplar, são R$ 4 milhões, e o biografado pode ter sido destruído com a biografia. Temos que procurar uma solução".

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