REUTERS/Piroschka van de Wouw
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Dior resgata influências dos anos 70 na Semana de Moda de Paris

Grife voltou no tempo com modelos usando lenços na cabeça, peças em estampas xadrez e muitas franjas

Redação, Reuters

26 de fevereiro de 2020 | 11h26

A Christian Dior voltou no tempo para o seu mais recente desfile de moda em Paris nesta terça-feira, quando a designer Maria Grazia Chiuri mergulhou em suas memórias de infância e adolescência na Itália com looks inspirados nos anos 70.

Modelos usando lenços na cabeça exibiram peças em estampas xadrez e muitas franjas, enquanto a designer também explorou referências feministas que a inspiraram pela primeira vez e que se tornaram um tema recorrente para a marca controlada pela LVMH.

“Volto quando eu era mais jovem em Roma, por volta dos anos 70, 80, porque foi um momento importante da minha vida ... com questões importantes como a libertação das mulheres”, disse Chiuri à Reuters em entrevista.

Alguns looks pareciam inspirados diretamente pelas próprias experiências de Chiuri, incluindo uma jaqueta estilo camuflagem. “Lembro-me da primeira vez em que fui ao mercado de pulgas para comprar minha calça jeans, minha jaqueta militar porque não queria me vestir com um vestido bonito no qual não me reconhecia”, disse ela.

As atrizes Demi Moore, Nina Dobrev e Sigourney Weaver estavam entre as estrelas na primeira fila do desfile de Paris. A Dior foi uma das primeiras grandes marcas francesas a lançar a Semana de Moda de Paris, que encerra a última temporada de desfiles que passaram por Nova York, Londres e Milão.

Inspirados por Carla Lonzi, uma ativista feminista dos anos 70 e Marc Bohan, diretora criativa da Dior há 30 anos, a coleção Outono-Inverno apresentou estampas de bolinhas e camisas transparentes.

A Dior também reinterpretou a jaqueta Bar da marca em um cardigã de lã de caxemira curvilíneo.

Outros looks noturnos foram mais luxuosos, como vestidos de seda pura, embora muitos fossem decorados com botas resistentes ao invés de sapatos de saltos altos e finos. O show terminou com vestidos brilhantes e fluidos.

O local foi projetado pelo coletivo Claire Fontaine e incluía exibições de mensagens iluminadas como “Consentimento” e “Somos todas mulheres clitoridianas” penduradas acima da passarela dentro de uma instalação pop-up no Jardin des Tuileries.

“Há certos momentos em que você sente que a moda vai se abrir e eu sinto que está acontecendo um pouco agora”, disse a atriz norte-americana Andie MacDowell à Reuters após o desfile. “Desde perder espartilhos até queimar sutiãs, acho que as mulheres estão se fortalecendo.”

O surto de coronavírus resultou em poucos compradores asiáticos presentes. Na semana passada, as casas de moda italianas se apresentaram em um teatro vazio na Semana de Moda de Milão.

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