Lucas Dolega/Efe
Lucas Dolega/Efe

Dior desfila hoje, Sem Galliano

Estilista que atacou judeus deve usar problemas com o álcool como defesa

Suzy Menkes, do The International Herald Tribune, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2011 | 00h00

John Galliano, o talentoso, mas problemático estilista que foi demitido da Dior por fazer declarações antissemitas quando estava bêbado em um bar, vai a julgamento, segundo afirmou anteontem um promotor público de Paris.

Galliano, cujos amigos disseram que ele deixou a França para começar uma reabilitação, também divulgou um pedido de desculpas por intermédio de seu advogado de Londres anteontem: "Antissemitismo e racismo não têm espaço na nossa sociedade. Eu abertamente peço desculpas pelo meu comportamento ao causar qualquer tipo de ofensa".

A promotoria pública informou que o julgamento pode ocorrer entre abril e junho e que Galliano poderia ser condenado a uma pena de seis meses na prisão, além de pagar US$ 31 mil em multas.

A lei francesa encara como crime o ato de incitar ódio racial; o estatuto foi usado no passado para punir atitudes antissemitas.

O comunicado do estilista diz o seguinte: "Eu proferi os insultos verbais quando um indivíduo tentou me atingir com uma cadeira por julgar diferente o meu visual e minhas roupas", durante a discussão no bar na semana passada, de acordo com a Reuters. Ele também moveu uma ação legal por difamação.

Galliano foi convencido por colegas próximos e por amigos, como as modelos Naomi Campbell e Kate Moss, a aceitar o tratamento por seus problemas com o álcool, sendo aconselhado a permanecer anônimo e discreto por causa da situação delicada. O local do tratamento ainda é desconhecido, mas é provável que seu destino seja The Meadows, uma instituição em Wickenberg, no Arizona, onde Elton John e Donatella Versace se trataram no passado.

Para a Dior, a multibilionária marca, os problemas estão apenas se multiplicando. O desfile da coleção feminina do outono de 2011 da Dior será apresentado hoje, segundo um funcionário da empresa que pediu para não ser identificado.

O futuro da grife de John Galliano, que está afastado da Dior e com problemas financeiros, é complexo. Contando principalmente com licenças estabelecidas na última década, os executivos terão de ver se aqueles parceiros externos ainda vão querer ter seus nomes associados a um estilista cujo nome está mundialmente manchado.

Porém, mais importante para a Dior, e para todo o futuro da alta-costura, é o problema de encontrar um substituto para Galliano. De um tsunami de ideias de estilistas britânicos duas vezes ao ano na alta-costura e coleções mais populares, equipes de moda criaram uma montanha de coleções de meia estação e linhas de acessórios. Sem liderança, a casa da moda pode ficar vazia em um curto período de tempo.

No passado, os pais da Dior, LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, e seu fundador e chefe executivo, Bernard Arnault, tenderam a trocar executivos e estilistas de uma marca para a outra. Galliano mesmo começou seu reinado na LVMH, na Givenchy, em 1995, antes de mudar para a Dior no ano seguinte. Então é natural que o nome de Ricardo Tisci, nascido na Itália, treinado na Inglaterra e atual estilista da Givenchy, seja considerado o substituto mais provável para a Dior.

Tisci, assim como Galliano, foi aluno do Central Saint Martins College of Art and Design de Londres e teve uma verdadeira escalada na curva de aprendizado em direção ao pico da alta-costura da Givenchy. Essa teoria se aplica a outras marcas da LVMH, como Celine, Loewe e Louis Vuitton, em uma espécie de carrossel.

Outras teorias sugerem que uma estrela ascendente da moda pode entrar na Dior e construir uma história de sucesso - como o crescimento da Lanvin pelo estilista Alber Elbaz. Mas com empresas renomadas procurando por novos talentos, mesmo com a força da Dior, uma escolha rápida pode não ser tão fácil. 

** TRADUÇÃO DE LUCAS NOBILE

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