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Diogo Nogueira lança DVD gravado no Teatro Karl Marx, em Cuba

Em seu novo trabalho, o cantor apresenta um repertório só com grandes sucessos do samba

ROBERTA PENNAFORT - O Estado de S.Paulo,

29 de agosto de 2012 | 03h13

RIO - Diogo Nogueira ao Vivo em Cuba é um "desvio de percurso" na carreira do sambista carioca de 31 anos e 400 mil CDs e DVDs vendidos desde 2007. A análise é dele mesmo. Depois de Tô Fazendo a Minha Parte - sucesso alavancado pela música título, incluída na novela Amor Eterno Amor, e pelo samba Sou Eu, de Chico Buarque e Ivan Lins, e vencedor do Grammy Latino de melhor álbum de samba -, o que viria era um CD de inéditas, em parte já escolhidas.

Mas ele acabou saindo com mais um DVD, o meio com o qual se lançou, cantando sucessos do pai, João Nogueira. O que faz sentido, a analisar o gosto do brasileiro por esta mídia, considerado peculiar no mercado internacional. "Não vejo problema de lançar outro ao vivo (o terceiro), acho que isso é uma besteira. Já está saindo com 100 mil cópias, o que significa alguma coisa", diz o cantor, que aproveitou o convite para participar da Feira Internacional de Havana, no Teatro Karl Marx, com capacidade para mais de 5 mil pessoas, para registrar sua passagem pela cidade - que era cara a João. "Não sei se ele foi a Cuba, mas era apaixonado por Fidel, Che Guevara..."

"Não teve nenhuma estratégia de marketing de gravadora nisso. Diogo só está aproveitando a oportunidade de lançar o que ele gosta e o que o público dele gosta", conta o diretor do DVD e seu empresário, Afonso Carvalho, sobre o repertório: lados A do repertório de samba, que ele já cantava em shows, mas ainda não havia gravado.

Músicas que todo brasileiro já ouviu em outras vozes: O Que É, O Que É (Gonzaguinha), Coração em Desalinho (Monarco/Ratinho), Deixa a Vida me Levar (Eri do Cais/ Serginho Meriti), Vou Festejar (Jorge Aragão/ Neoci Dias/ Dida), Acreditar (Dona Ivone Lara/ Delcio Carvalho).

Desde que aprendeu os passos da salsa na Dança dos Famosos, no programa do Faustão, dois anos atrás, Diogo se vê mais próximo dos ritmos caribenhos. Em faixas como Tanta Saudade (Djavan/ Chico Buarque), Que Maravilha (Toquinho/ Jorge Ben Jor) e Madalena (Ivan Lins/ Ronaldo Monteiro), sente-se o tempero cubano - exceção num cenário em que os arranjos, de seu cavaquinista e diretor musical, Henrique Garcia, e de Alceu Maia, soam homogeneizadores.

A voz e a postura de galã casam bem em temas românticos superpopulares dos anos 80, como Verdade Chinesa (Carlos Colla/Gilson), Ex-Amor (Martinho da Vila) e Deixa Eu te Amar (Mauro Silva/ Camilo, Agepê). O repertório autoral ficou de fora. "A gente resolveu só colocar sucessos, músicas que sempre tiveram muita aceitação nos meus shows, complementando com a pitada de salsa. Não faria sentido estar em Cuba e fazer só samba", explica Diogo, que em cinco anos já ouviu coros em palcos nos Estados Unidos e Europa.

O famoso grupo local Los Van Van foi chamado para esquentar o clima com El Cuarto de Tula, gravada no CD do Buena Vista Social Clube. A batida da santería se integra à do samba no medley de Mineira (João Nogueira/Paulo César Pinheiro) e Samba de Arerê (Arlindo Cruz/Xande de Pilares/Mauro Jr).

O CD inédito, com produção de Leandro Sapucahy (de discos tão distintos quanto o de Arlindo Cruz, Aline Calixto e o de samba de Maria Rita) ficou para o início de 2013 - finda a longa agenda de shows, que contempla capitais e interiores. Em São Paulo, a data é 14 de setembro, no HSBC Brasil.

O DVD tem, além do show (assistido por maioria cubana, mas também por estudantes brasileiros), um minidoc com o passeio de Diogo por Havana. Ele já pensa em novas viagens. Próxima parada: Cabo Verde.

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