Dinos na Oca abre com 400 raridades

A mostra Dinos na Oca e Outros Animais Pré-Históricos conduzirá o público por mais de 150 milhões de anos de história em 10 mil metros de exposição, a partir desta quinta-feira. Mais que ótimo passeio, a mostra estimula o conhecimento e pode despertar a vocação de futuros cientistas. Ao entrar na Oca, no térreo, o visitante passa por um túnel cronológico, que refaz o percurso de cada período geológico. Em seguida, começa a mostra que conta com 400 peças, desde fósseis, ossos originais e reproduções, reconstituição do que teria sido cada animal, além de textos e ilustrações. Depois dessa viagem, quem ainda acha que os dinossauros foram totalmente extintos, que pterossauros são dinossauros e que os piores predadores eram os grandalhões tyrannosaurus rex terá mudado seus conceitos. Para começar, os pterossauros são parentes dos dinossauros. Em Dinos na Oca, a espécie ganha lugar de honra, pois foi uma das mais abundantes na Chapada do Araripe, no Ceará, um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo. "Classificação é coisa que os homens inventaram. Os pterossauros foram os primeiros vertebrados que aprenderam a voar e seus fósseis contribuem para as descobertas da paleontologia", explica o curador da exposição, Luiz Eduardo Anelli, paleontólogo da Universidade de São Paulo (USP). A exposição quer falar ao grande público. Por isso, o caráter educativo da mostra ganhou atenção especial. Foi desenvolvido projeto educacional com visitas monitoradas, encontro com professores e o atendimento de 80 mil estudantes de escolas públicas. Orçado em R$ 7 milhões, o evento é o maior do gênero já organizado no Brasil e traz mais de 400 peças, que ou estavam espalhadas por instituições do País ou nunca haviam sido expostas por aqui. Algumas têm bilhões de anos, outras são descobertas recentes que contribuíram para a evolução dos estudos da paleontologia, como as ossadas encontradas no Deserto do Saara nos anos 90, que trouxeram à tona animais como o jobaria, réptil herbívoro que habitava os bosques que haviam no local há cerca de 135 milhões de anos. O jobaria tem 22 metros de comprimento e é o maior animal da exposição.Para trazer animais como este, Anelli contou com o apoio de várias instituições e a ajuda especial do paleontólogo Paul Sereno, um pop star da ciência contemporânea. Sereno está à frente da Fundação Project Exploration, de Chicago, e é uma espécie de Indiana Jones real.Além do acervo de Chicago, a mostra recebe peças da Argentina e faz uma panorâmica do que de mais importante foi descoberto no Brasil. Entre os destaques nacionais, está a ave paraphysornis, que pesava cerca de 200 quilos e viveu onde hoje ficam Taubaté e Tremembé; o crânio do baurusuchus, parente distante dos crocodilos encontrado em Bauru; e o mariliasuchus, parente dos crocodilos de 70 milhões de anos, achado em Marília. Dinos na Oca. Oca. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, Parque do Ibirapuera, portão 2, São Paulo. 9h/21h (fecha 2.ª). R$ 20 (grátis para crianças até 5 anos, deficientes e maiores de 65). Até abril.

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