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Dinos e androides em fábula de Walcyr

Diretor Rogério Gomes fala sobre'Morde & Assopra', gravada no Japão

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2011 | 00h00

Não teria lugar melhor para uma história que fala sobre dinossauros e androides começar senão no Japão, onde já é notória a ponte entre ontem e o amanhã. Mas o plano é que o país seja mais do que um belo cenário para ilustrar com pompa os primeiros capítulos de Morde & Assopra, novela de Walcyr Carrasco que substitui Ti-Ti-Ti na Globo, em 21 de março. "A trama está muito dentro do Japão no começo, tanto quando a novela fala das escavações paleontológicas quanto no caso dos androides", detalha o diretor-geral, Rogério Gomes, o Papinha.

Papinha e uma equipe de 30 pessoas passaram 20 dias gravando em Tóquio e arredores - foram quase 50 cenas. "Antes disso, passei dez dias lá, escolhendo locações ao lado do Walcyr. Essa pré-produção foi fundamental para que o trabalho fosse tranquilo, como foi, depois", conta o diretor, que contou ainda com o apoio de uma equipe da IPC, grupo de mídia focado na comunidade brasileira no Japão.

Morde & Assopra, que quase se chamou Dinossauros & Robôs, tem três núcleos principais. Mateus Solano será Ícaro, um cientista que vai ao Japão em busca da tecnologia necessária para construir uma androide. A motivação para tanto é recuperar o amor de sua vida, Naomi (Flávia Alessandra), que morreu num acidente. Ao mesmo tempo, a paleontóloga Júlia (Adriana Esteves) começa a novela fazendo escavações ao pé do Monte Fuji - seu grande sonho é encontrar uma ossada de dinossauros. Um encontro inesperado dos dois personagens vai levá-la ao Brasil, mais precisamente à cidade fictícia de Preciosa, na região de Marília - não por acaso um polo de imigração japonesa no interior de São Paulo. Ali, debaixo de um cafezal, pode estar escondido um bichão de 90 milhões de anos. Também ancorada no Japão, há a história de uma família de dekasseguis, que é obrigada a voltar ao Brasil por falta de trabalho por lá. "Marília foi a referência para a construção da cidade de Preciosa que será feita no Projac", explica Papinha.

Editor que passou a diretor, Papinha fará sua 16.ª novela, uma trajetória que mistura vários estilos, desde a praiana Tropicaliente (2004) até a rural Paraíso (2009), passando ainda pelos sucessos Beleza Pura (2008) e, mais recentemente, Escrito nas Estrelas (2010). Por pura coincidência, é a segunda vez que ele grava no Japão. A primeira foi em Laços Família (2000). "Foi bem diferente do que agora, porque os personagens da Carolina Dieckman (Camila) e da Vera Fisher (Helena) estavam apenas de passagem, era um encontro delas ali", compara. "Naquela vez, fiquei mais perto da baía de Tóquio, agora fomos mais para dentro da cidade. É um cenário fascinante. Gravar em Guinza, por exemplo, é só abrir a câmera, que a fotografia fica linda", garante ele.

Para provar o potencial do seu cenário e dar um gostinho do que vem por aí, o diretor empresta ao Estado algumas imagens captadas pelo seu iPhone nos bastidores de gravação. Entre os melhores momentos da viagem, que não teve sobressaltos - "graças à imensa organização dos japoneses, que querem tudo bem certinho", anota -, ele cita a gravação no Monte Fuji, em Honshu. "A gente queria gravar com neve, mas no primeiro dia, nada de neve. Mas tivemos uma surpresa, porque o dia seguinte foi o primeiro dia de neve do ano", relata, bastante empolgado. "O Fuji, do jeito que a gente gravou, com neve no topo, só durante cinco dias por ano."

E já que abriu o iPhone durante esta entrevista, na sua sala no Projac, Papinha aproveitou para mostrar as cenas incríveis que gravou de Mateus Solano contracenando com androides - robôs de verdade, e assustadoramente humanos. "O olhar é muito forte, foi o que mais me impressionou. Está muito próximo da gente, dá até um medinho", brinca.

O contato com os robôs foi bastante útil para que o diretor possa dar o tom certo à androide que será interpretada por Flávia Alessandra. "Primeiro, fizemos alguns ensaios sem emoção, mas vimos que não daria certo. Chegamos num conceito de que ela tem de ter alguma emoção, para que não fique um robozão. E as androides que a gente viu lá não têm aqueles movimentos duros, é uma coisa mais suave", explica. "Definitivamente, não será uma Super Vicky", brinca, diante da lembrança da robozinha do seriado americano Small Wonder, sucesso nos anos 80.

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