Dinamarca comemora os 200 anos de Andersen

De Pelé a Tina Turner, do ex-007 Roger Moore a Isabel Allende, um punhado das mais variadas celebridades reúne-se neste fim de semana em Copenhague, capital da Dinamarca, para comemorar hoje os 200 anos de nascimento do escritor Hans Christian Andersen, autor de fábulas infantis conhecidas em todo o mundo. Filho de sapateiro e mãe lavadeira, alto, desengonçado, com nariz proeminente e olhos tristes, Andersen (1805-1875) será lembrado por leituras de seus textos mais conhecidos (como O Patinho Feio e A Pequena Sereia), além de um grande show, lançamento de moedas e selos comemorativos, rótulos de cerveja e toda uma série de produtos com a foto do escritor. Traduzida em 146 idiomas, a obra de Andersen ainda exerce um fascínio justamente por ter sido o primeiro a criar uma literatura em que as crianças falam com voz própria e por ter escrito sobre como os adultos devem aprender com elas e não de como educá-las. "A humanidade de seus personagens, a predileção pelos marginalizados e a forma como trata de questões existenciais em histórias aparentemente infantis são alguns dos méritos de Andersen, cujo texto foi amenizado por muitos tradutores da época, tornando-o politicamente correto", comenta Jes Andersen, autor de uma recente biografia sobre o escritor em que detalha sua dificuldade em superar a infância pobre e ser reconhecido pelos ricos e famosos - de patinho feio a um formoso cisne. As festividades pelo bicentenário começaram ontem, quando a família real da Dinamarca recebeu diplomatas de diversos países e outras celebridades para acompanhar a encenação de diversos textos de Andersen, que foi transmitida ao vivo pela televisão. O auge das comemorações acontece hoje, com o show Once upon a Time (Era uma Vez), no estádio nacional Parken, em Copenhague. Diante de 42 mil pessoas, o espetáculo, que também será transmitido pela tevê, vai reunir a música do francês Jean Michel Jarre e da americana Tina Turner com a declamação de contos a ser feita por outros artistas, como atores, como a dinamarquesa Connie Nielsen e o britânico Roger Moore, além de escritores, como a chilena Isabel Allende, o alemão Günter Grass e o americano Harold Bloom; de cantores, como o americano Harry Belafonte e a alemã Nina Hagen. Acrobatas chineses vão apresentar sua versão das diversas histórias infantis de Andersen e dançarinas do Balé Real encenarão uma versão de A Pequena Sereia, criada especialmente para a ocasião. Também hoje, em Odense, cidade natal do escritor, Günter Grass receberá o Prêmio Honorário Hans Christian Andersen, que consiste em uma estátua de bronze no formato de um livro aberto. Já outro prêmio, chamado de "pequeno Nobel", será entregue a Harold Bloom, no valor de US$ 64 mil. Os dois autores foram escolhidos por seu trabalho de divulgação da obra de Andersen. Mais de US$ 45 milhões foram investidos por patrocinadores nas atividades locais e internacionais, uma soma sem precedentes na Dinamarca. O montante, porém, é visto com desconfiança por parte da imprensa. O diário Politiken teme que os organizadores abusem do aniversário para fazer "uma combinação trivial de pensamento comercial e cultura de eventos" a fim de potencializar os interesses de exportadores dinamarqueses. O jornal contesta também a nomeação de "embaixadores de Andersen" em 37 países - a presença de jogadores de futebol, como o italiano Maldini e o chileno Zamorano, é algo "simplesmente inexplicável" para o Politiken. Entre os embaixadores, estão Pelé e o ministro Gilberto Gil.

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