Diminui a distância entre literatura portuguesa e brasileira

A larga distância que separa a literatura brasileira da portuguesa começa a diminuir. Ao menos, é o que percebe os editores de Portugal reunidos na Feira de Frankfurt. ?Só neste ano, acertei a venda dos direitos de dez livros de autores portugueses e africanos para o Brasil?, comenta Zeferino Coelho, diretor literário da Caminho. ?Isso nunca havia acontecido antes.? Da mesma forma a resistência portuguesa em relação à obra de brasileiros começa a ser derrubada. ?Nomes clássicos que estavam distante das prateleiras, como Graciliano Ramos, aos poucos retomam a venda?, continua Coelho, acreditando que o passo, apesar de lento, é progressivo. Segundo ele, apesar da adoração dos portugueses pela música e novela criados no Brasil, a mesma paixão não se repete na literatura. ?Há uma diferença entre a palavra falada, que é admirada em Portugal, e a escrita por brasileiros, que ainda enfrenta restrições.? Assim, a aproximação é feita com o auxílio da televisão. Autores que são conhecidos também por programas na telinha, como Jô Soares e Nelson Motta, surgem como primeira opção na lista dos publicáveis, pois, acreditam os editores, a aceitação será mais fácil.Tanto que, certas editoras como a Edições Asa, já elaboram linhas exclusivas para escritores brasileiros. No sentido contrário, a aproximação é mais rápida por conta de uma ação do governo português, que financia a edição de obras de seus autores no Brasil. Essa é uma das explicações para o sucesso inesperado da negociação da Caminho com editoras nacionais. E, com isso, o leitor brasileiro tem a chance de descobrir autores que dificilmente chegariam às nossas estantes. É o caso do angolano Ondjaki, cuja obra deverá ser publicada pela Ediouro. Nascido em 1977 e formado em sociologia, ele é um típico representante dos autores surgidos depois do período de guerra civil que marcou seu país. ?Isso diferencia muito sua obra?, acredita Zeferino Coelho. ?Há um gosto pelo risco e pela experimentação que não era comum e isso fornece nova frescura ao texto.? ?Sempre gostei muito das palavras, mesmo daquelas que ainda não conheço.Existem palavras que estão no nosso coração e que ainda nunca estiveram na nossa boca?, escreve Ondjaki no livro infantil Ynari, a Menina das Cinco Tranças. Apesar de jovem, ele já publicou também seis livros para adultos. Interessado em cinema, ele programa uma vinda ao Brasil para os próximos meses, quando desenvolverá um projeto cinematográfico com o gaúcho Tabajara Ruas, autor de Netto perde sua Alma (Record), já adaptado para a tela grande.

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