''Diga quando começo''

Executivo que levou humorista para a Globo, Boni conta que Chico sequer estabeleceu salário desejado em seu primeiro contrato na casa, há 39 anos

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Empresário, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2011 | 00h00

Conheci o Chico Anysio na Rádio Mayrink Veiga, no Rio, na década de 1950. Digo sempre que considero o Chico o maior gênio da televisão brasileira e que se tivesse nascido nos Estados Unidos, seria também lá um fenômeno. Cruzei com o Chico em diversas emissoras, e foi ele que me indicou para a Direção do Telecentro da TV Tupi. Quando fui para a Globo, os tempos eram de vacas magras. Esporadicamente, o Chico participava, desde 1968, mas foi em 1972 que se deu a vinda definitiva, quando saiu o Chacrinha. No dia seguinte, liguei para o Chico e avisei: "Já tenho dinheiro para trazer você". Perguntei se ele tinha uma estimativa de custo e ele respondeu: "Faça o contrato, ponha o valor e me diga quando eu começo".

Chico teve vários programas na Globo, com mais de 200 personagens, mas o que mais gostei foi o Chico de cara limpa no Fantástico fazendo os monólogos do Marcos César. Insuperável. Os personagens do Chico jamais criaram problemas para a Globo. A única reclamação que recebi foi de outro gênio da TV, o Dias Gomes, que achava que o personagem Gastão era uma caricatura dele. E era realmente parecido, mas não foi intencional. O Dias entendeu e passou a curtir o tipo e às vezes fazia sugestões muito engraçadas, mas que nunca passei para o Chico para não interferir.

Além de humorista, o Chico é um ator, escritor e diretor de altíssima qualidade. Isso sem contar a lealdade e amizade.

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