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'Difícil foi recriar o olhar perdido que o personagem tinha'

Entrevista com Tony Ramos, ator

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2013 | 09h07

Entrevista com Tony Ramos, ator:

 

Que armadura é esta que você usa para obter a massa física do personagem?

 

Veio uma especialista americana que tirou as medidas do meu corpo e fez uma projeção computadorizada do corpo de Getúlio, a partir de fotos. Ela moldou essa prótese que não é só barriga, não. Conforma tudo, perna, braço. Uso até uma prótese dentária com os dentes de ouro de Getúlio.

 

Todas essas ferramentas são indispensáveis para criar o personagem?

 

Como você diz, são ferramentas, e ajudam. O roteiro é outra (ferramenta), mas tem também o trabalho de ator. Lá atrás o João (Jardim) me disse que me queria como Getúlio. Eu fazia outras coisas, mas a data chegou. Li livros, vi filmes. Fiz minhas pesquisas. Na minha casa tem umas 40 fotos do Getúlio e em todas ele tem o olhar perdido num horizonte imaginário. É como se olhasse para o abismo da humanidade. Tentei reproduzir esse olhar.

 

Você pisa firme na cena que vi filmar. Por quê?

 

Queria mostrar que, mesmo alquebrado, ele tinha consciência de ser o poder. Há uma cena muito delicada com a Drica (Moraes), que faz a filha, Alzira. O pai não come e ela pergunta se ele não tem fome? Ele desconversa. Diz que o bife de São Borja é melhor. Ora, imagino que a carne servida ao presidente seja a melhor. É um detalhe que revela, mais que o isolamento, a sensação de não estar ali.

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