Dickens: eterna inspiração

Livros, filmes e exposições marcam os 200 anos do autor de Oliver Twist,que continua a influenciar artistas

Bob Minzesheimer / USA Today, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2012 | 03h01

Na próxima terça-feira, na Abadia de Westminster, em Londres, uma cerimônia marcará o aniversário de 200 anos de Charles Dickens. Na plateia, estará um astro do cinema: o ator e diretor Ralph Fiennes. Longe dali, na Califórnia, a escritora Jane Smiley também comemora o bicentenário do romancista britânico: "Quem me fez querer escrever".

Dos dois lados do Atlântico, Dickens permanece como força da literatura. É, para escritores e cineastas, o que Abraham Lincoln é para os historiadores: uma constante fonte de fascinação e inspiração.

"Ele sempre será amado pelas pessoas comuns, que sabem que ele está do lado delas", diz sua biógrafa Claire Tomalin. Ela conta que "se apaixonou por ele à primeira vista", lendo David Copperfield com sua mãe quando tinha 7 anos. "Ele criou arte de alto nível para as massas."

Dickens aos 200, exposição em cartaz na Biblioteca Morgan, em Nova York, mostra que nenhum outro autor - nem Shakespeare nem Jane Austen - inspirou tantos filmes, livros e peças de teatro.

Mais de 320 filmes - entre dramas, musicais e animações - se baseiam nos romances de Dickens. Ralph Fiennes e Helena Bonham Carter vão protagonizar a próxima versão de Grandes Esperanças, ainda para este ano. Fiennes também planeja dirigir A Mulher Invisível, livro que relata o romance que Dickens teve com a atriz Nelly Ternan. Ela tinha 18 anos quando conheceu o escritor de 45 anos.

Todas as obras de Charles Dickens foram adaptadas para os palcos enquanto ele ainda era vivo. Durante viagem aos Estados Unidos, entre 1867 e 1868, Dickens escreveu em uma carta: "Em todos os lugares aonde eu vou, meus livros estão sendo encenados e os cartazes trazem meu nome em destaque".

Hollywood adotou Dickens desde o início. Em 1911, foi lançada uma versão muda de Um Conto das Duas Cidades. Até os Estúdios Disney o reverenciaram com o filme O Conto de Natal do Mickey, de 1983.

Em sua segunda turnê norte-americana, Dickens atraiu mais de 100 mil pessoas para 76 leituras públicas. Hoje, grandes editoras, como a Penguin e a Random House, continuam a preparar novas edições de suas obras. Na Amazon, seus livros - em papel ou em formato digital - permanecem entre os mais vendidos.

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