Dick Tracy e seus vilões grotescos

A Ponte

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h11

23H30 NA CULTURA

(The Bridge). EUA, Inglaterra, 2006. Direção de Eric Steel.

Obra-prima de arquitetura, a Golden Gate Bridge não é somente o cartão-postal de São Francisco, nos EUA. Uma estatística macabra a aponta como local preferido dos suicidas. Durante um ano, enquanto documentava o local, o diretor Steel e sua equipe flagraram 24 tentativas de suicídio e muitas se concretizaram. Por quê? Mesmo sem encontrar respostas, o filme ocupa-se do assunto. Reprise, colorido, 95 min.

Sangue do Barro

0H30 NA TV BRASIL

Brasil, 2009. Direção de Mary Land Brito e Fabio DeSilva.

Uma tragédia anunciada - Genildo Ferreira de França solicitou espaço para se manifestar às rádios de Santo Antônio de Barreiros, no Rio Grande do Norte. Negado o pedido, ele cometeu 15 assassinatos em série e virou atração em todos os programas sensacionalistas não só da região, mas do Nordeste inteiro. A dupla de diretores usa seu caso para debater a função social do rádio. Reprise, colorido, 52 min.

TV Paga

Waiting for Superman

10H30 no TELECINE CULT

(Waiting for Superman). EUA, 2010. Direção de Davis Guggenheim.

Documentário que pouco ou nada tem a ver com o mito do Super-Homem, mas que na verdade discute o sistema educacional dos EUA, que inibe, muito mais do que estimula a criatividade das crianças. O mérito do diretor Guggenheim é mostrar personagens e não números de uma estatística. As histórias humanas de seu filme prendem o interesse e estimulam a reflexão. Reprise, colorido, 111 min.

O Fantástico Super-Homem

12H35 NO TELECINE CULT

(The Absent Minded Professor). EUA, 1961. Direção de Robert Stevenson, com Fred MacMurray, Nancy Olson.

Outro filme que, no limite, também não tem nada a ver com o Super-Homem, herói da DC, mas que termina discutindo o heroísmo do homem comum. Fred MacMurray faz professor que inventa acidentalmente um material que chama de 'flubber', um tipo de borracha cuja elasticidade lhe permite até voar. O filme pertence à série de comédias e fantasias infantojuvenis que o diretor Stevenson fez na Disney, nos anos 1960. Os críticos não davam muito valor a esses filmes, mas hoje, revistos, eles, e este em especial, não apenas são benfeitos e divertidos - basta comparar com o remake recente, com Robin Williams -, como revelam um olhar muito interessante sobre a família numa época em

que o sonho norte-americano ia começar a desmoronar. Reprise, preto e branco, 92 min.

A Costela de Adão

14 H NO TCM

Adam's Rib). EUA, 1949. Direção de George Cukor, com Spencer Tracy, Katharine Hepburn, Judy Holiday, Tom Ewell.

Katharine Hepburn e Spencer Tracy formam casal de advogados que se enfrenta no tribunal. Katharine defende Judy Holiday, que descobriu a traição de Tom Ewell e disparou contra ele. Tracy é o promotor e Kate alega ao juiz que, se fosse o contrário - se Ewell tivesse disparado contra a mulher adúltera -, nem haveria processo. As comédias de Cukor com Kate e Tracy foram feministas avant la lettre. O cartaz de hoje da TV paga, roteiro de Garson Kanin e Ruth Gordon, foi pioneiro ao usar a expressão 'igualdade sexual' em filmes. Não é pouca coisa. Reprise, preto e branco, 101 min.

Dick Tracy

16H30 NO TELECINE CULT

(Dick Tracy). EUA, 1990. Direção e

interpretação de Warren Beatty, com Madonna, Al Pacino, Glenne Headley, Mandy Patinkin, Charles Durning, Paul Sorvino, Seymour Cassel, Dustin Hoffman, James Caan, Catherine O'Hara, Dick Van Dyke.

A adaptação do herói dos quadrinhos de Chester Gould redefine o conceito de 'comics' no cinema e se caracteriza por apurado visual. O homem do sobretudo, e com aquele nariz, revela-se um personagem sob medida para o astro diretor Beatty, que, em princípio, não teria physique du rôle para criá-lo. A história mostra Dick às voltas com mulher sedutora e acossado pela Máfia. Falar em 'história' soa exagerado, porque a trama é tênue, mas envolve uma série de vilões grotescos - e atores que atuam caracterizados, muitas vezes escondidos sob pesada maquiagem. Não admira que o filme tenha recebido os Oscars de direção e maquiagem, mais o de canção. Madonna é dez cantando Sooner or Later

(I Always Get My Man), de Stephen Sondheim. É o melhor momento dela como atriz de cinema, numa época em que anda-va ficando com Beatty (e há uma história segundo a qual ele a fez repetir mais de cem vezes a cena da música). Reprise, colorido, 104 min.

A Guerra dos Vizinhos

22 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 2009. Direção de Rubens Xavier, com Eva Wilma, Karin Rodrigues, Vera Mancini, Tony Correia, Ângela Dip, Fabiula Nascimento.

Eva Wilma fez poucos mas bons filmes. Não é exatamente o caso deste, mas dá para se divertir com ela e com Karin Rodrigues e Vera Mancini como trio de velhas bisbilhoteiras que infernizam os vizinhos com suas ofensas. O caso vai parar na

Justiça e o diretor Xavier recheia sua história com algumas observações saborosas. Reprise, colorido, 84 min.

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