"Dicionário Houaiss" sai este ano

O mais completo dicionário da língua portuguesa, o Dicionário Houaiss, chegará às livrarias no segundo semestre, anuncia a editora Objetiva, do Rio de Janeiro. A primeira versão dos originais foi concluída em dezembro, quando a última das letras trabalhadas, a T, foi entregue pelo Instituto Antonio Houaiss, que prepara o dicionário, ao editor Roberto Feith. Desde então, a Objetiva trabalha intensamente na revisão e finalização do dicionário e, para isso, praticamente se duplicou. Em escritórios separados da sede, uma equipe de 35 profissionais se dedica em tempo integral à revisão dos originais. "Estamos fazendo quatro revisões, sendo que a primeira delas é constituída de três leituras - portanto, fazemos ao todo seis leituras", diz Feith. O processo de preparo do Houaiss é liderado pelo editor Alfredo Gonçalves, sócio da editora. Da parte do Instituto Antonio Houaiss, o trabalho é comandado pelo lexicógrafo Mauro Villar, sobrinho de Houaiss. Outra figura chave no processo de nascimento do dicionário é Francisco Melo Franco, diretor do Instituto Antonio Houaiss. Villar e Melo Franco estão, no momento, em Lisboa, onde o instituto tem uma segunda sede. Lá se desenvolve uma segunda versão do dicionário, destinada ao português de Portugal, a sair com o selo da editora Círculo de Leitores. Em Portugal, o projeto Houaiss recebe apoio financeiro do Instituto Camões, do Instituto do Livro e da Fundação Gulbenkian. "Esse suporte é um reconhecimento de que o Houaiss será o novo paradigma de conhecimento da língua portuguesa falada em todo o mundo", diz Feith. "Além de ser o mais completo e mais inovador, é efetivamente lusofônico, abrangendo a língua falada por 220 milhões de pessoas em todo o mundo." A versão portuguesa do Houaiss está, contudo, mais atrasada e só deverá ser lançada em 2002. O Dicionário Houaiss foi efetivamente concebido como dicionário lusofônico. Ele está enriquecido com palavras usadas nos Açores, ilha da Madeira, regionalismos brasileiros e portugueses, palavras dialetais do Brasil e de Portugal e palavras específicas do universo vocabular de São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Macau e Timor Leste. Sabe-se que o banco de dados do Dicionário Houaiss tem aproximadamente o dobro de tamanho do Aurélio, em termos de quantidade de informação. Isso não quer dizer que tenha o dobro de verbetes. O Houaiss terá 228 mil verbetes enquanto o Aurélio, em sua versão Século 21, apresenta 160 mil verbetes. O Houaiss terá, portanto, 68 mil verbetes a mais que o Aurélio. Entre outras coisas, o Houaiss trará no corpo dos verbetes extensos grupos de sinônimos, variantes e antônimos, levantamentos de homônimos, parônimos, coletivos, assim como informações de gramática e uso. O filólogo Antonio Houaiss começou a trabalhar em seu dicionário no início dos anos 80. Depois de oito anos consecutivos de dedicação, foi obrigado a interromper o projeto por falta de recursos. Ele só foi retomado em 1995 quando Francisco Melo Franco, Mauro Villar e o próprio Houaiss, hoje falecido, procuraram o editor Roberto Feith em busca de uma parceria. Ao todo, foram investidos cerca de R$ 7 milhões. Além do dicionário, haverá uma versão em CD-ROM, a ser lançada imediatamente, e uma versão escolar, que já está também bastante adiantada, deve ser lançada poucos meses depois da chegada do grande Houaiss às livrarias e promete ser a melhor do gênero. Os editores estão preocupados em obter uma legibilidade máxima. Para isso, foi desenhada uma tipologia inteiramente nova, e muito bem resolvida, pelo professor Rodolfo Capeto, da Escola Superior de Desenho Industrial; ela foi batizada de "fonte Houaiss". Clique aqui para ler mais sobre o novo dicionário

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