Dicionário Houaiss é lançado em Portugal

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa foi hoje lançado em Lisboa, na presença do presidente da República portuguesa, Jorge Sampaio, e do embaixador brasileiro, José Gregori. Esta é a primeira vez que um dicionário elaborado por um filólogo brasileiro é reconhecido pelo governo português como obra de referência do idioma partilhado pelos dois países.A obra será editada em Portugal com a chancela do Círculo de Leitores em seis volumes, ao preço unitário de ? 34,90 (o primeiro volume tem um desconto de 20%). Uma vez completa a edição, em de 2003, será relançada nas livrarias em volume único pela editora Temas e Debates.Na sua elaboração participaram mais de 150 especialistas, entre lexicógrafos, etimologistas, professores e revisores. A versão do dicionário que chega a Portugal contou com um financiamento de Fundação Calouste Gulbenkian de 216 mil euros, além de apoios do Instituto Português do Livro e da Biblioteca (ministério da Cultura), do Instituto Camões e da Academia de Ciências de Lisboa.A edição portuguesa parte da base de dados brasileira, mas toma em consideração a norma européia da língua, e nela trabalharam colaboradores do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Academia de Ciências, sob a coordenação científica do professor catedrático português, Malaca Casteleiro.Além da sua magnitude (228.500 mil entradas lexicais, 376 mil acepções e 415 mil sinônimos), o dicionário contém referências etimológicas, informação gramatical, identificação de sinônimos, antônimos e homônimos e vasta informação terminológica.Pensado como um dicionário da lusofonia, foi enriquecido com palavras usadas nos Açores e Madeira, regionalismos brasileiros e portugueses, palavras dialetais do Brasil e de Portugal e léxico específico de São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Macau e Timor Leste. O Houaiss distingue-se ainda por aprofundar a origem de cada palavra, ao ponto de fornecer a data em que esse vocábulo foi assumido pelo idioma, e indicando a fonte usada pelos investigadores para datação.Antônio Houaiss foi tradutor, crítico, escritor, lexicógrafo, diplomata, membro da Academia de Ciências de Lisboa, presidente da Academia Brasileira de Letras e ministro da Cultura, sendo por alguns considerado o maior conhecedor da Língua Portuguesa na modernidade. Autor de 19 livros, foi também o porta-voz brasileiro do Projeto de Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aprovado pelo Congresso Nacional daquele país em 1995 e ratificado por Portugal e Cabo Verde, mas que nunca chegou a entrar em vigor.Houaiss, que faleceu em 1999, era filho de uma família de imigrantes libaneses no Rio de Janeiro. Aos 16 anos começou a ensinar português, missão que nunca abandonou. Intelectual brilhante e disciplinado, era um apaixonado pela Língua, e gostava de descobrir as muitas histórias que se podem esconder numa só palavra. Criado em 1997, o Instituto Houaiss é detentor dos direitos autorais do Dicionário e aplicará as receitas obtidas pela comercialização do mesmo na sua revisão e actualização, que deverá ser feita de quatro em quatro anos.

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