Dicionário Houaiss destaca variedade de sinônimos

Uma nova opção sempre é bem-vinda. No Brasil, praticamente ficávamos restritos ao Aurélio e ao Michaelis. O famoso dicionário Caldas Aulete que, apesar de estar há décadas fora de catálogo, é ainda hoje o preferido por muitos escritores, jornalistas e poetas, sendo disputado a peso de ouro nos sebos. O mesmo ocorre com o Morais Silva, outro ícone da gramática, apreciado pela grande quantidade de abonações (frases de livros que usam a palavra em questão).O Houaiss é um trabalho de porte. A equipe mobiliza 52 especialistas, a maior parte no Brasil e em Portugal, mas também em outros países que, depois de muito trabalho, chegaram a um total de 220 mil verbetes. Uma das principais características que ele oferece é uma boa quantidade de sinônimos para muitas palavras. Isso pode resolver o velho problema de achar alternativas para variar o texto, comum entre estudantes e profissionais.Por exemplo, a expressão baba-ovo. No Aurélio, encontra-se um sinônimo: bajulador. No Houaiss, encontram-se dois. Esse e adulador. No verbete larápio, há até um bem-vindo exagero. Exatamente 60 sinônimos (fora a remissão ao verbete bandido), enquanto o Aurélio remete ao termo ladrão, no qual oferece cinco sinônimos. O Aulete nem possui o verbete bandido, mas tem dois sinônimos para larápio. O Morais Silva oferece cinco sinônimos para bandido, enquanto no Laudelino Freire, constam três. Outra novidade é a datação das palavras, ou seja, sempre que foi possível descobrir, consta entre parênteses o ano em que apareceram pela primeira vez na língua, a etimologia e as variações ortográficas que sofreu até chegar à forma atual. A contribuição de grandes escritores tem sido, ao longo dos séculos, fundamental para o enriquecimento da língua. Nomes como Camões, padre Antônio Vieira, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, só para citar alguns dos que nada ficam a dever aos mestres da literatura mundial, deram status a palavras que surgiram como gíria na boca do povo. No poema Canção Amiga, Drummond descreve o processo ao dizer: "... Aprendi novas palavras e tornei outras mais belas".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.