Dias cheios e amigos ilustres

Dominguinhos tem uma rotina de fisioterapia duas vezes por dia, terapia ocupacional e fonoaudiologia

O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2013 | 02h09

Os dias de Seu Domingos são agitados. Nas dependências do Hospital Sírio Libanês, um dos mais requisitados do País, Dominguinhos tem uma rotina de fisioterapia duas vezes por dia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Faz trabalhos ainda em uma prancha, onde é colocado em posição vertical. No quarto há dois meses depois de outros dois meses na UTI, ele ainda não se comunica verbalmente e não fica em pé, mas reage a estímulos, segundo a cantora Guadalupe, que se casou com o sanfoneiro há 37 anos. "Chegamos a nos separar", diz ela. "Mas voltamos a ter contato muito próximo quando entendi que Dominguinhos era mesmo do povo."

Guadalupe conta que as visitas são frequentes. Entre os artistas que o visitaram, estão Tatto, do Falamansa, Sergio Reis, o humorista Tom Cavalcante, Elba Ramalho, Raul Gil, Arismar do Espírito Santo, Proveta e o sanfoneiro Mestrinho. Uma visita de Alceu Valença está agendada para hoje.

Alguns músicos levam seus instrumentos, como Proveta e Mestrinho. E quando não há visitas, Guadalupe coloca CDs do próprio Dominguinhos. "Às vezes ele bate o pé acompanhando o ritmo", diz ela. "Há quatro meses eu não acreditava que haveria evolução alguma. Hoje eu acredito. Ele recuperou os movimentos, os rins funcionam, está se dedicando às fisioterapias", diz Guadalupe. Às vezes faz um bico me pedindo beijo, e eu digo a ele que isso é assédio", sorri.

As visitas se emocionam. "Oh meu mestre, tudo o que eu sei foi o senhor quem me ensinou", disse Mestrinho. Proveta, depois de tocar para o amigo, abraçou Guadalupe e não segurou mais as lágrimas.

Assim que o pesadelo passar, Guadalupe quer lançar um songbook do músico com o luxo que ele merece. "Um material de CDs, livro, partituras e algumas músicas que eu vi nascer." / J.M.

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