Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Dia do grafite é festejado com exibições de filme

‘Cidade Cinza’ vai ser mostrado em três bairros da cidade

Mônica Reolom, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2014 | 19h09

O Dia do Grafite ficou apenas três anos na “legalidade” em São Paulo. Oficializada pela gestão Marta Suplicy (PT) em 2004, a data foi retirada em 2007 do calendário oficial da capital paulista por Gilberto Kassab (na época DEM, hoje PSD). A polêmica foi suficiente para o dia 27 de março ser sempre lembrado, especialmente na cidade que se considera o berço dessa expressão cultural.

“Se o Rio tem o Cristo (Redentor), nós temos 'osgemeos'”, afirma Marcelo Mesquita, codiretor do filme Cidade Cinza junto com Guilherme Valiengo. Os dois, aliás, organizaram uma semana de exibições gratuitas do filme pela cidade para comemorar a data.

O documentário acompanha a trajetória de grafiteiros que são reconhecidos internacionalmente, como 'osgemeos', Nunca e Nina. Enquanto eles têm exposições em galerias de arte em outros países, em São Paulo, onde nasceram, os seus grafites são muitas vezes considerados pichação e acabam pintados de cinza pela Prefeitura.

Nesta quinta, 27, o filme será exibido no Cambuci, na região central, às 19h. No sábado, 29, no Jardim Monte Azul, zona sul, e, no domingo, 30, no Minhocão, centro. Os locais não foram escolhidos aleatoriamente. O Cambuci é considerado o berço do grafite em São Paulo e o Minhocão é palco de diversas manifestações urbanas. A mostra também passou por outras cidades, como Diadema e Osasco, e bairros periféricos como Cidade Tiradentes.

“Comecei a sentir que o verdadeiro público não estava só na galerinha cult nos cinemas da Rua Augusta ou da Livraria Cultura, mas estava na galera que está na rua, que está pintando, que vive do hip hop”, afirma Mesquita. Também por esse motivo, o filme está sendo lançado nesta quinta-feira no Itunes.

Também no domingo, o bairro do Bixiga receberá, a partir das 12h, a oitava edição do 'Dia Do Graffiti'. O evento faz parte das ações do Ocupaí Bixiga, movimento que visa a transformar o bairro em polo cultural.

Um mural de 12 metros por 7 m, localizado na Rua Santo Antônio, vai ganhar uma nova pintura nas mãos de um coletivo de artistas. Aberto ao público, o evento ainda terá shows do Bixiga 70, MC Sombra, Zebrabeat e da Escola de Samba Vai-Vai.

Comemoração. O dia 27 de março faz referência à morte, em 1987, de Alex Vallauri, etíope radicado no Brasil que foi pioneiro na arte de rua no País. A data nunca foi reconhecida nacionalmente mas, em fevereiro, a Prefeitura do Rio oficializou e regulamentou o grafite.

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