Dia-a-dia dos idosos inspira Quasar

Um grupo goiano que merece todorespeito e muito destaque, o Quasar Cia. de Dança, está no SescVila Mariana para apresentar, até domingo, o espetáculoEmpresta-me Teus Olhos, uma estréia dentro do projeto DePonta a Ponta. A companhia foi buscar inspiração no dia-a-diados idosos da Vila Vida. O Quasar surgiu no fim dos anos 80, conquistoureconhecimento de crítica em 1995 com um Prêmio Mambembe, fatoque se repetiu em 1997. Nesta curta temporada, a companhia, soba direção de Vera Bicalho e do diretor artístico e coreógrafo,Henrique Rodovalho estréia na cidade Empresta-me Teus Olhos,que também poderia ser chamada de "empresta-me tuaslembranças". A coreografia nasceu ainda quando Rodovalhoelaborava Registro. "Precisei usar uma imagem de uma casal de idosos e fuia um local, quase um condomínio fechado para idosos chamado VilaVida. Fiquei impressionado como todos são ativos, animados. Umadas coisas que mais me chamaram a atenção foi o encontro dasquartas-feiras, quando eles se reúnem para dançar; tudo ocorrecom uma velocidade incrível, namoro, beijos", diz Rodovalho. Aequipe passou uma semana para pesquisar a interferência do tempona vida das pessoas, não apenas no aspecto físico, mas naslembranças, mudanças de pensamento, amor. Mais de 25 horas foram captadas, somadas aos depoimentose som ambiente. O material será transformado em um documentáriopara a televisão. "Não estamos preocupados em falar da velhicede maneira ampla, mas pontualmente, focando os idosos da VilaVida." Após a fase de entrevistas e coleta de imagens,bailarinos e coreógrafo se reuniram para discutir ainterferência do tempo em suas vidas. Os intérpretes passaram a fazer o que Rodovalhodenominou de interferências estáticas, a presença dos bailarinosem situações polêmicas. Nada parecido com as famosasperformances, aparições singelas, apenas um jeito de transformara maneira de olhar, a modificar a percepção das pessoas paraaspectos que tornaram-se banais no cotidiano. Duas câmerasescondidas captaram a cena e as reações. Rodovalho conta que, em uma praça, uma mendiga, figuracomum e despercebida, tornou-se motivo de frisson para ostranseuntes quando uma bailarina ficou ao seu lado conversando edeitou-se em seu colo. "As pessoas olhavam assustadas, pensavamque a moça estava drogada ou com problemas. Um homem chegou aficar pregando no local." Outra cena polêmica: um singeloabraço no pátio de uma escola pública. Dois bailarinos abraçadosna hora do intervalo. "Os alunos olhavam assustados, uma bedelpediu para eles se separarem, outros riam, alguns chegaram aimitar o gesto." As imagens interagem com os bailarinos no palco. Osmovimentos descrevem, de maneira sutil, as sensações e vivênciasdos intérpretes. No segundo momento, o cotidiano da Vila Vida e,para fechar, depoimentos dos idosos. "Este é um trabalho umpouco diferente dos anteriores, trabalhamos muito com apercepção, queremos mostrar maneiras diferentes de ver. Osbailarinos também auxiliaram na elaboração dos movimentos, umaexperiência enriquecedora." Música ambiente, dos bailes da Vila Vida, auxiliam nacomposição da trilha sonora assinada por Henrik Lorenzen. Ocenário ficou por conta de Rodovalho e Shell Junior. O Quasarcontou com apoio da Brasil Telecom para a produção e circulaçãodo espetáculo. Embora ainda não tenha um parceiro para a suamanutenção.

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