Di Cavalcanti e Portinari são destaque de leilão

Os pintores Emiliano di Cavalcanti e Cândido Portinari são destaques do primeiro leilão da Bolsa de Artes em 2005, que ocorre hoje, a partir das 21 horas, no Copacabana Palace. Do carioca Di Cavalcanti há seis obras, entre elas o óleo sobre tela Mulher com Gato, cujo preço varia entre R$ 800 mil a R$ 1,2 milhão. Mas há também dois desenhos a nanquim, bem mais acessíveis (entre R$ 4 mil e R$ 15 mil). Portinari tem cinco obras, sendo o óleo sobre tela Bailarina Carajás a de preço mais alto (entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão), mas há ainda retratos e desenhos. Segundo o diretor da Bolsa de Artes, Jones Bergamin, esse leilão deve manter as tendências do ano passado, quando obras que estavam no Rio se transferiram para proprietários paulistas, especialmente profissionais do mercado financeiro ou jovens que iniciam suas coleções. Outra tendência é o aparecimento do pregão de artistas contemporâneos, ainda vivos, como Daniel Senise, Vik Muniz (que tem três fotos) Gerchman e Roberto Magalhães. "Geralmente, quem compra um Iberê Camargo (que também tem cinco quadros em oferta) ou um Bandeira (como o Abstrato da capa do catálogo, entre R$ 280 mil e R$ 400 mil) investe também nesses artistas mais novos", explica Bergamin. Além de marinas de Pancetti, paisagens de Bonadei, pinturas abstratas de Tomie Ohtake e Iberê Camargo, esse leilão tem como curiosidade duas paisagens de pintores que ficaram famosos como abstratos, Roberto Burle Marx e Manabu Mabe. "O Cine Jóia e a Catedral da Sé (preço entre R$ 15 mil e R$ 25 mil) é de 1958, quando Mabe ainda não tinha sido descoberto por Pietro Maria Bardi, era operário, mas já tinha um trabalho vigoroso. É raro não só por ser um quadro figurativo dele, mas porque há pouquíssimas paisagens da cidade de São Paulo", comenta Bergamin. "Já a Paisagem sobre Tela de Burle Marx, retrata Olinda em 1935, quando ele ainda não tinha se juntado aos modernistas. É um quadro impressionante pela expressividade." Só não há muitas obras do século 19, de brasileiros ou estrangeiros, embora haja um Panorama do Rio de Janeiro, de Victor Front, mostrando o porto carioca e o Corcovado sem o Cristo ao fundo (litografia com aquarela, entre R$ 4 mil e R$ 7 mil). "No ano passado obras desse período trocaram de mãos, especialmente depois do leilão do acervo de Nelson Seabra", conta Bergamin. "Quem as comprou não deve desfazer-se delas tão cedo."

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