Deu o que já se previa: venceu a caretice

Parecia o elenco internacional da Virada Cultural de duas semanas atrás: só deu velharia. Alice Cooper, Bee Gees, Hall & Oates, Chicago, Joe Cocker, Alanis Morissette. O desfile de ídolos decadentes ao longo de duas intermináveis horas de programa só foi quebrado pelo rapper Larry Platt ? também na casa dos 60 ? com sua performance provocativa de Pants on the Ground, com os b-boys baixando as calças e deixando os cuecões à mostra. Sensacional. Pra encerrar, teve a siliconada Janet Jackson, imitando o irmão Michael. Mas até que ela mandou bem, melhor na segunda música (um misto de funk e r&b sob flashes modernosos de raio laser) do que na primeira.

Análise: Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

Além de outros menos cotados, teve ainda Christina Aguilera e Kelly Clarkson (que também se juntou a todos os vencedores anteriores do American Idol), duas loiras sem sal, que não se sabe quem é cover de quem. Nada mais coerente para um programa que é um painel de aspirantes a popstars sem personalidade, perdidos em clichês ? como elas.

A doidinha e riponga Crystal Bowersox perdeu para o mala Lee DeWyze. Surpresa? Não. Internautas têm uma teoria: quem perde tempo votando nesse programa são mulheres. Daí o resultado previsível: venceu a caretice. Crystal tem algo de Joss Stone e Janis Joplin no jeito de cantar. É forte, envolvente, tem personalidade. Porém, com seus cabelos desgrenhados, figurinos esquisitos e um ar de Amy Winehouse, tem perfil um pouco ousado para os padrões conservadores do programa. Talvez seja outsider (ou só se faça de tal) demais para o público americano, que se impressiona com excessos de melismas, vibratos e interpretações que começam suaves e vão crescendo até a gritaria previsível. Lee é desses e, como aquele outro loirinho chato desclassificado, faz as meninas suspirarem.

Como boa cantora, Crystal superou todos com quem dividiu os vocais na final do programa: o próprio Lee, Alanis, Cocker... É provável que Lee não dê em nada, pelo menos fora dos Estados Unidos. É mais um pretensioso de voz enjoativa e desafinada. A reprise do vídeo dele destruindo Beautiful Day, do U2, depois de anunciado como vencedor, é uma evidência incontestável.

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