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Desvendando Fernando Pessoa

Biógrafo releu todos os 30 mil papéis deixados pelo poeta português

Ubiratan Brasil, Brasília - O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2014 | 09h14

O advogado José Paulo Cavalcanti Filho acredita fielmente em uma afirmação do mexicano Octávio Paz de que "os poetas não têm biografia - a biografia é a própria obra". Por isso, ao decidir escrever sobre seu grande ídolo literário, Fernando Pessoa, ele releu todos os 30 mil papéis deixados pelo poeta português. Mais: entrevistou dezenas de pessoas, visitou lugares pelos quais Pessoa passou (foi mais de 30 vezes a Lisboa). O resultado foi o livro Fernando Pessoa: Uma Quase Biografia (Record), que lhe rendeu vários prêmios como o Jabuti.

Foi sobre a obra que Cavalcanti Filho falou na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que acontece em Brasília até o dia 21. "Pessoa é mais amado no Brasil que em Portugal", afirmou ele. "Em sua terra, por ter sido oposição a diversos regimes políticos, o poeta ganhou diversos críticos."

De tão apaixonado pela vida e obra de Pessoa, Cavalcanti Filho chegou a ter uma alucinação: acreditar que vira o poeta, em uma de suas visitas a Portugal. "Minha mulher dizia que aquele era um sósia, mas comecei a seguir o homem, que estava vestido como Pessoa. Ele percebeu que estava atrás e acabou me despistando."

Famoso pelos heterônimos, o poeta não tem apenas um punhado, como se supõe. "São mais de 160", diz o biógrafo, destacando o que considera o mais curioso: Quaresma Decifrador.

Desvendar alguns segredos, aliás, foi a meta de Cavalcanti Filho, como o início do famoso poema Autopsicografia: "O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente". "Eu não aceitava a ideia de alguém fingir uma dor que realmente sente - se sente, é porque é dor", disse o biógrafo. "Até que descobri que 'fingidor' pode significar também 'construtor, recriador', aí as coisas se encaixaram e o poema passou a ser valioso de fato."

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