Destaques da geração de jovens

A turca Meriç Algün Ringborg e o alagoano Jonathas de Andrade têm em comum o fato de serem artistas jovens em destaque na 12.ª Bienal de Istambul, cada um deles, representado na mostra por duas obras - e até com salas especiais.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

"Nasci e cresci em Istambul, mas até há pouco tempo eu nem sabia que ocorria aqui esta Bienal", diz Meriç, de 27 anos. "Na Turquia, o Estado não se interessa em cultura e não há quase nada voltado à arte." Ela vive e estuda, há quatro anos, em Estocolmo, na Suécia, e nunca trabalhou como artista na Turquia. Seu deslocamento foi a inspiração para a instalação sonora Ö (A Carta Mútua), no segmento Passaporte.

Em uma sala azul, vazia, de um momento para outro começam a ser faladas 1.270 palavras que são iguais em turco e em sueco. Em outro espaço, o visitante encontra pilhas com exemplares de um caderno azul com essas palavras. "Quis que as pessoas levassem meu dicionário, como um gesto gentil", conta Meriç, que exibe ainda o Livro Conciso de Formas de Aplicações de Vistos.

Já Jonathas apresenta, em sala especial do segmento História, a instalação Ressaca Tropical (2009), com fotografias de casas modernas em destruição no Recife, onde vive, e páginas de diário encontrado no lixo da cidade. "Quis falar da ruína sem um olhar nostálgico", explica. Suas narrativas e construções têm caráter íntimo e jogam com a questão do tempo - parecem fora desta época.

No núcleo Ross, ele participa com 2 em 1 (2010), registro em imagens e desenhos do projeto de construção de uma cama de casal a partir de duas de solteiro. Jonathas, que começou sua trajetória em 2007 e faz residência no Cairo, esteve na última Bienal de São Paulo e estará no Videobrasil.

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