Destaques da dança mundial na agenda brasileira

Há oito anos promovendo a dança no Brasil, a Antares Promoções apresenta seu programa para 2001 confirmando a proposta da produtora: mostrar ao público brasileiro um panorama com as diversas tendências e estilos daquilo que é produzido no exterior. A Antares ainda está em fase de captação de recursos, aberta a parceiros e patrocinadores. Por enquanto, a empresa conta com apoio do Estado e também do Ministério da Cultura e das Secretarias Municipal de Cultura de São Paulo e de Porto Alegre, que garantem aos interessados um valor considerável em renúncia fiscal.Rio, São Paulo, Brasília e Porto Alegre poderão assistir a cinco importantes companhias: Nederlands Dans Theater I, Cullbergh Ballet, Pilobolus, Batsheva Dance Company e Antonio Canales. A escolha dos grupos segue o critério da produtora de trazer ao País informações que renovem o cenário nacional e auxiliem na formação de público. A Antares não se limita à qualidade dos espetáculos, promovendo aulas abertas ao público e workshops com bailarinos e coreógrafos, voltados para quem atua na dança. "Em Porto Alegre, temos um convênio com a Secretaria Municipal de Cultura que garante aos bailarinos profissionais pagarem apenas 50% do valor das entradas. A idéia é fomentar a dança e dar uma cara nova ao mercado brasileiro", diz a diretora da Antares, Maria Rita Stumpf.A programação deste ano conta com uma aula que será ministrada pelo espanhol Antonio Canales - algo semelhante do que foi feito por Sara Baras no ano passado - e um workshop com o grupo Pilobolus. Esses eventos variam conforme as cidades, por causa das necessidades de cada região. O interessante é o contato com as idéias e os movimentos desenvolvidos pelos artistas. "Todas as companhias da programação possuem qualidade técnica e respeito internacional, como o Nederlands, considerada a melhor companhia de dança do mundo na atualidade", explica Maria Rita.Grupos - O holandês Nederlands volta ao Brasil. A última vez que esteve por aqui foi em 1997, com a NDT I, a sua principal companhia de dança contemporânea, fundada em 1959, composta por 32 bailarinos e com Jirí Kylián como coreógrafo residente. O grupo ainda possui mais duas companhias, a NDT II, que abriga bailarinos de 17 a 22 anos, e NDT III, que garante aos veteranos espaço para mostrarem sua experiência e talento no palco. A NDT I ainda não definiu o repertório, mas de acordo com a Antares contará com obras de Kylián e de seus futuros sucessores dentro da companhia, Paul Lightfoot e Jahan Inger. O espetáculo está previsto para o mês de outubro.A companhia suíça Cullberg Ballet ainda não definiu se dançará uma versão de A Bela Adormecida ou a do Lago dos Cisnes, à moda de Mats Ek, coreógrafo que faz uma nova leitura dos clássicos. "O Cullberg tem, na minha opinião, o mesmo status do Nederland. As versões feitas por Ek aproximam os clássicos do mundo contemporâneo, mostram as mudanças de valores dos tempos e atraem um público mais jovem. A Bela Adormecida será ambientada na época de James Dean e a roca será a agulha de uma seringa. Já no Lago dos Cisnes, a figura central do coreógrafo será a mãe e o cisne negro sobrevive no fim", observa Maria Rita. O Cullberg deve desembarcar no Brasil em setembro.Ainda com o intuito de alcançar públicos variados, a Antares trás o Pilobolus em maio. As peças dessa companhia americana se caracterizam pelo bom humor, pela leveza e empatia com o público infantil. "É impressionante como as crianças se identificam com as coreografias, que são divertidas, mas não ingênuas, apesentando sempre uma crítica de fundo", comenta a diretora. Outro aspecto relevante é o preparo físico dos bailarinos.Já a Batsheva Dance Company esteve no Brasil em 1995, dentro do extinto Calton Dance Festival, e mostrará um resumo dos dez anos do trabalho desenvolvido por Ohad Naharin como diretor artístico à frente do grupo. De acordo com Maria Rita, serão dançados extratos de várias peças que compõem o repertório da companhia, em novembro.E pela primeira vez no País, o espanhol Antonio Canales com seu balé. Canales, há 14 anos na estrada, é considerado o primeiro nome masculino do flamenco na Espanha. Dançou na companhia de Maguy Marin como artista convidado para Calambre. Por aqui ele apresentará a premiada Torero, em junho. Os espetáculos serão apresentados no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e as assinaturas já estão à venda. São Paulo, como ainda não definiu um novo diretor para o Teatro Municipal, aguarda a confirmação das datas e do próprio teatro; eventualmente, as apresentações poderão ocorrer no Teatro Alfa. Os interessados podem obter mais informações diretamente com a Antares pelo tel. (0--21) 205-6672.

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