"Desperta-me, Deseja-me" discute o desejo nas relações amorosas

Um espetáculo que não fala de amor, mas de desejo. Assim a escritora Valderez Cardoso define os desencontros e relacionamentos conturbados que marcam a sua peça Desperta-me, Deseja-me, que estréia nessa quarta-feira, às 21h, no Teatro Sérgio Cardoso, na sala Pachoal Carlos Magno, sob a sua direção. Na verdade, trata-se de um novo nome para um espetáculo já apresentado no ano passado, em um bar da capital, É Vamp e Outras Coisas.São dois esquetes cômicos. No primeiro, Boca de Micróbios, um encontro amoroso entre uma crente e um fotógrafo é contado pelos dois a terceiros, com versões diferentes. O jogo resulta em uma polêmica que conduzirá o destino dos dois personagens a um desfecho surpreendente. No segundo, que dá o título à peça, uma jovem vai a um baile com uma amiga a fim de namorar. A moça, porém, é perseguida por um paquerador inconveniente, que frustra seus planos, principalmente quando é surpreendida pela presença de seu provável grande amor."Tratamos daquele tipo de problema que mais atinge os relacionamentos atuais", comenta a atriz Lúcia Segall, que encabeça o grupo Big-Bang e, além de auxiliar na direção de atores, participa do último esquete. "É quase impossível não se familiarizar com nenhuma situação." Neta de Lasar Segall e sobrinha de Beatriz, Lúcia volta aos palcos italianos depois de dois anos representando seu espetáculo de bolso A Transcendência do Fardo. "Durante todo esse tempo, apresentei a peça em qualquer lugar, de praças a bares, o que me convenceu que a cidade é um verdadeiro teatro", confessa. "Mas o esforço para uma apresentação como essa é fenomenal: apesar de ficar apenas sete minutos em cena, eu sentia a exaustão de uma semana inteira."Durante seis anos, Lúcia estudou no Actor´s Studio de Nova York, renomado instituto que utiliza os métodos de Lee Strasberg, responsável pela formação de atores famosos do cinema como Marilyn Monroe e Marlon Brando. Com isso, desenvolveu noções específicas como concentração em cena e criação do imaginário por meio dos sentidos. "É um trabalho de controle do corpo", explica. "São exercícios de condicionamento, de controle de músculos e criação do imaginário pelos sentidos."Em Desperta-me..., a experiência da atriz no instituto americano é valorizada pela autora e diretora Valderez Cardoso, que já realizou adaptações de texto com Antunes Filho (Romeu e Julieta) e Ulisses Cruz (Rei Lear e Macbeth). "Ela elaborou uma concepção cênica bem construtivista, ou seja, há pouco cenário no palco (apenas algumas telas que situam o espaço) e um investimento grande no trabalho do grupo", conta Lúcia, que já ajudou na preparação de atores para diretores como Hector Babenco, Antunes Filho e Guilherme de Almeida Prado.A música é também um elemento essencial na peça, especialmente no desenvolvimento da segunda história - vocalista do grupo Soul Fine há quatro anos, a cantora Luiza Albuquerque atua no primeiro esquete e canta na segunda, recriando um clima de baile. "Sua voz de soprano é poderosa e participa ativamente da encenação", comenta Lúcia.A peça previa a apresentação de mais uma história, Coisas da Vida, mas o tempo de ensaio não foi considerado suficiente para convencer o grupo a agrupá-la às demais. "Resolvemos investir mais nos textos que já conhecíamos e deixamos o outro esquete para uma nova oportunidade."Desperta-me, Deseja-me. Comédia. Texto e direção de Valderez Cardoso. Duração: 60 minutos. Quarta e quinta, às 21 horas. R$ 20,00. Teatro Sérgio Cardoso - Sala Paschoal Carlos Magno. Rua Rui Barbosa, 153,tel. 288-0136. Até 12/10

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