Despenca a audiência das novelas da Globo

A teledramaturgia global procura um vilão. A Rede Globo quer descobrir o responsável pela queda de audiência das novelas de sua grade. O uso de pesquisas e mudanças no formato entrarão na pauta de reuniões deste início de ano na sede da emissora no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. A média de televisores ligados durante o horário das três novelas atuais é menor do que a média do trio anterior. O quadro ao lado revela o declínio da popularidade do principal produto das Organizações Globo.Há várias explicações, muita perplexidade e nenhum consenso entre teledramaturgos e analistas sobre as causas do desinteresse do público pelo gênero. Entre os perplexos está Silvio de Abreu, autor de As Filhas da Mãe - novela das sete no ar desde setembro e uma das maiores apostas da Globo para levantar a audiência do horário.Os ingredientes pareciam perfeitos para garantir o sucesso: autor criativo, história engraçada, elenco de estrelas. Não deu. A atração ficou sete pontos abaixo da audiência média de Um Anjo Caiu do Céu, de Antônio Calmon, sua antecessora no horário, e termina no próximo dia 18 - a previsão era de chegar ao mês de março. Silvio admite: teve problemas de comunicação com o público. "A grande dificuldade hoje é descobrir o que as pessoas querem ver na televisão", diz ele. Crise na teledramaturgia sempre houve, mas hoje ela está generalizada. A opinião é do crítico de televisão Gabriel Priolli, organizador do livro A Deusa Ferida, Por que a Rede Globo Não É Mais Campeã Absoluta de Audiência (Sumus, 2000). "As novelas da Globo se ressentem de novos temas e abordagens", diz Priolli. "Há muito tempo giram em torno de três eixos: Rio, São Paulo e Nordeste." Em 1999, Priolli chefiou um grupo de pesquisadores e apurou que o público estava cansado e achava as novelas monótonas. "Essa frustração acabou sendo compensada em boa parte com os reality shows, como No Limite e agora com Casa dos Artistas."Silvio e Priolli concordam que há um processo de rebaixamento cultural no País. "Temos um público classe D que está mandando na programação das emissoras", diz o primeiro. "Não concordo com a tese de apartheid eletrônico. Acho que o público A e B ainda é determinante e assiste também aos programas de pior qualidade como Ratinho e Casa dos Artistas", diz o segundo.Renata Pallottini, do Núcleo de Pesquisa de Telenovela da ECA/USP, tem outra opinião: "Acho que a crise é circunstancial e que as emissoras deviam se submeter menos aos números do Ibope e procurar obter mais prestígio". Será possível? Com 30 segundos de publicidade valendo R$ 98 mil no horário das sete?

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