Dries Van Noten/ Saint Laurent/ Celine
Dries Van Noten/ Saint Laurent/ Celine

Desfiles de Paris exibem ironia fina

Humorista francesa invade a passarela da Chanel, enquanto estilistas dão roupagem sofisticada a tendências histriônicas

Maria Rita Alonso, Especial para 'O Estado'

04 de outubro de 2019 | 09h00

Foi um tanto tumultuada essa temporada de moda, que começou com os desfiles de Nova York, em setembro, passou por Londres, Milão e acabou na última terça-feira, dia 1.º, em Paris. 

Em meio às discussões da Cúpula de Ação Climática e protestos contra o aquecimento global, as passarelas francesas acabaram espelhando o espírito histriônico de agora, sem perder a ironia fina e o olhar sofisticado de sempre. 

Ninguém contava, no entanto, com a surpresinha debochada no final do desfile da Chanel, no último dia do evento, quando a comediante francesa Marie S’Infiltre invadiu a passarela, caminhando ao lado das modelos e fazendo caras e trejeitos engraçados para a plateia que registrava tudo com os celulares (Marie já ganhou mais de 50 mil seguidores em sua conta no Instagram depois da performance). Enfim, uma daquelas cenas que ficam para a história.

Em termos de tendências, as ruas continuam apontando caminhos e definindo hits. Imediatista, o street style incorpora as novidades exibidas nas apresentações das grifes em um minuto, além de lançar outras propostas interessantes. Mas, verdade seja dita, ainda é nos grandes desfiles que as peças-chave se confirmam, as ideias de styling mais incríveis aparecem, os arquétipos femininos ganham novas roupagens e as referências culturais são criativamente resgatadas como forma de expressão pessoal.

Nas coleções apresentadas, destaque para novas formas de usar as peças clássicas de sempre. O terninho de alfaiataria ganhou versão mais cool com a bermuda no lugar da calça, o trench coat surgiu desconstruído, com pontas soltas e assimétricas, enquanto o jeans apareceu em novas modelagens (a reta e básica é a mais legal de todas) e em lavagens diversas, algumas delas bem manchadas. 

As peças luxuosas da vez ganharam representações a partir de elementos barrocos, maximalistas, brilhantes, bordados e divertidos - democratizando estéticas aristocráticas de outros tempos. O decorativismo de hoje é usado como sinal de empoderamento e resposta a qualquer tipo de discriminação (racial, corporal ou ligada à sexualidade). 

A Louis Vuitton, por sinal, apresentou a artista trans Sophie Xeon em uma videoperformance como pano de fundo. Outros cenários espetaculares deram ares de megaprodução a desfiles memoráveis, como o da Dior e de Stella McCartney, que levantaram bandeiras da consciência ambiental. / COLABORARAM LAYS TAVARES E MARIA CAROLINA GIMENEZ

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