Deserto do Atacama guarda idioma de 12 mil anos

Um dos idiomas mais antigos do mundo está ameaçado de extinção. Trata-se do kunza, falado no deserto do Atacama chileno. Cientes do perigo, e mesmo sem grande apoio institucional, moradores dos vilarejos fazem agora de tudo para preservá-lo e evitar seu desaparecimento, fenômeno recentemente observado com outras línguas, como o dálmata.Líderes espirituais dos povoados, conhecidos como Yatiris, estão tentando convencer os moradores da importância da língua, que, para pesquisadores, está mais do que provada: inscrições antigas foram datadas pelo método do Carbono-14, e os resultados podem dar ao kunza o título de língua mais antiga do mundo, com 12 mil anos de idade.Em San Pedro de Atacama, vilarejo a 1,2 mil quilômetros de Santiago e a 2,2 mil metros de altitude, os líderes comunitários estão conseguindo algumas vitórias. O incentivo ao kunza foi levado à úncia escola pública do povoado, e hoje já se podem ouvir crianças fluentes no idioma, marcado por uma fonética extremamente gutural. Já os adultos relutam mais, com receio de serem identificados com uma cultura "atrasada". Para o ministério chileno da Cultura e Educação, a questão do ensino de kunza é "complexo", porque, conforme o ministro Claudio de Girolamo, "vivemos imersos numa socidade ocidental." Antes de tudo, de acordo com ele, a educação tem de providenciar aos jovens condições para competir no mercado de trabalho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.