REUTERS/Noemie Olive
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Desenho de Tintin bate recorde mundial para o setor de quadrinhos em leilão

Trabalho de Hergé para a capa do álbum ‘O Lótus Azul’ foi arrematado, em Paris, por US$ 3,8 milhões

Agências, AFP

14 de janeiro de 2021 | 17h42

Um desenho de Hergé (1907-1983) para a capa do álbum O Lótus Azul, de Tintin, foi leiloado na quinta-feira, 14, em Paris, por mais de 3,1 milhões de euros (cerca de 3,8 milhões de dólares), estabelecendo um novo recorde mundial para o setor de quadrinhos.

“Depois de uma batalha de leilões entre três telefones, esta obra-prima tão apreciada foi finalmente comprada por € 3.175.400, incluindo despesas, disse a casa de leilões Artcurial em um comunicado, acrescentando que o comprador é um “colecionador particular”.

Esta aquarela e guache, desenhada com tinta chinesa e datada de 1936, superou assim a venda de 2014, quando a mesma casa leiloou a página dupla que o ilustrador belga, cujo nome verdadeiro era Georges Prosper Remi, usou como capa de seus álbuns durante 20 anos.

O leilão foi então arrematado por € 2,5 milhões (cerca de US$ 3 milhões), o que estabeleceu um recorde para uma história em quadrinhos.



No desenho de O Lótus Azul, Tintin e seu cão Milu estão em um vaso azul, esticando a cabeça com uma expressão de angústia. À frente, um dragão vermelho os ameaça com a boca aberta. Existe ainda uma faixa com letras chinesas, sobre fundo preto com motivos amarelos.

Essa criação acabou não sendo a capa do quinto álbum das aventuras do famoso repórter, já que sua reprodução era muito cara. A editora Casterman optou por um desenho parecido, mas simplificado.

Esta é a primeira vez que o desenho, com as dimensões de 34 cm x 34 cm, é apresentado no mercado das artes. Seu preço estimado estava entre € 2,2 milhões e € 2,8 milhões (de US$ 2,6 milhões a US$ 3,4 milhões ).

Segundo a casa Artcurial, Hergé teria dado a obra ao filho do editor Louis Casterman, Jean-Paul, quando ele tinha 7 anos. O menino teria dobrado a página em seis e a mantido em uma gaveta, de onde foi recuperada décadas depois. 

Alguns especialistas questionam a veracidade dessa história. 

Para Philippe Goddin, um dos maiores conhecedores da obra de Hergé, os herdeiros “acreditaram na lenda que lhes foi contada pelo pai”, Jean-Paul, que morreu em 2009. Mas isso parece “muito suspeito”.

Embora as marcas de vinco possam ser vistas na folha, Hergé provavelmente a enviou assim em um envelope para o editor adjunto da editora, segundo Goddin. O desenho teria permanecido desde 1936 no armazém de Casterman, mas não se trataria de presente algum.

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