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REPRODUÇÃO/HERGÉ
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Desenho de Hergé vai a leilão milionário na França

Obra 'The Blue Lotus', desenhada a tinta chinesa em 1936, foi vendida por 2,5 milhões de euros (R$ 16,4 milhões)

O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 15h16

Um desenho de Hergé destinado à capa do álbum Blue Lotus (O Lótus Azul) de Tintin foi leiloado em Paris nesta quinta-feira (12), uma peça "excepcional" estimada em mais de dois milhões de dólares. Esta aquarela e guache, desenhada a tinta chinesa e datada de 1936, pode superar a venda de 2014, quando a mesma casa, a Artcurial, leiloou a página dupla que o cartunista belga usou como capa de seus álbuns durante 20 anos.

O leilão foi então liquidado por 2,5 milhões de euros, um recorde para uma história em quadrinhos. No desenho de The Blue Lotus, Tintin e seu cachorro Snowy estão dentro de um vaso apenas com a cabeça para fora e expressão angustiada enquanto um dragão vermelho os ameaça com a boca aberta. Um pendente com letras chinesas decora o fundo preto com motivos amarelos.

Porém, essa criação acabou não sendo capa do quinto álbum das aventuras do famoso repórter, já que sua reprodução era muito cara e a editora, Casterman, optou por um desenho semelhante, mas simplificado.

É a primeira vez que o desenho de 34cm x 34cm é apresentado no mercado de arte e o seu preço estimado ronda os 2,2 e os 2,8 milhões de euros. Segundo a Artcurial, Hergé teria cedido a obra ao filho do editor Louis Casterman, Jean-Paul, quando ele tinha sete anos. A criança teria dobrado a folha em seis e guardado-a em uma gaveta, de onde teria sido recuperada décadas depois.

Alguns especialistas questionam a veracidade dessa história. Para Philippe Goddin, um dos maiores conhecedores da obra de Hergé, os herdeiros "acreditaram na lenda contada pelo pai", Jean-Paul, que morreu em 2009. Mas a versão parece "muito suspeita". Embora as marcas de dobras possam ser vistas, Hergé provavelmente enviou a folha dessa forma em um envelope para o adjunto da editora, segundo Goddin. O desenho estaria no armazém da Casterman desde 1936, mas não era um presente.

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