Marcos Santi/Divulgação
Marcos Santi/Divulgação

Desde que o samba é samba

Enquanto Teresa Cristina faz incursões por outros ritmos, novas vozes se lançam em CD

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2011 | 00h00

Residente nas casas de samba há 13 anos, desde que a Lapa ainda não era a Lapa - ou não tinha voltado a ser -, Teresa Cristina vem frequentando outros ritmos. Desde o início de 2011, junta-se à banda de rock Os Outros para recriar clássicos de Roberto Carlos. Em agosto, a garota da Vila da Penha foi vista num banquinho cantando bossa nova com Roberto Menescal em Ipanema.

"Falaram um monte de bobagem, que eu não queria saber mais do samba, que só queria ganhar dinheiro. Mas minha mãe ficou numa euforia... E para quem luta contra a timidez é bom demais fazer rock", conta Teresa, que tem 43 anos e sempre foi a companheira de Dona Hilda nas audições dos antigos LPs do Rei. "Gosto de muita coisa, não sou um ET. Bossa nova, para mim, é samba lento, de apartamento. Adorei o Menescal, que é incrível, humilde,sem pose nenhuma."

As noites à Nara Leão, em que interpretou pela primeira vez a dupla Menescal & Bôscoli, de Tom, Vinicius e Baden, foram pelo projeto A Bossa do Samba, do Oi Futuro Ipanema. Com as guitarras, baixo e bateria d"Os Outros, sua voz tem novo encontro no dia 24 de setembro, no Rival + Tarde.

E a cantora ainda repisa seu terreno conhecido, no show com sambas de compositores da Portela ao qual também se dedica. É a Candeia - o sambista que a ex-manicure, de gosto musical eclético, ainda hoje fã de Iron Maiden e Van Halen, canta desde as noites primordiais -, que deve dedicar o próximo CD. Será o sétimo da carreira, e deve sair de forma independente

Depois de Melhor Assim, o elogiado CD gravado pela EMI ano passado, com o qual ganhou prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes, ela decidiu deixar a gravadora, por se sentir desprestigiada, "invisível". A carreira de Melhor Assim, a propósito, continua: os próximos meses serão de viagens pela América do Sul, Angola e Europa.

Novas vozes. Para a geração que chega agora aos estúdios, o momento é outro. É o caso de Roberta Nistra, de 33 anos, e de Joyce Candido, de 28, dois lançamento da Biscoito Fino. Autodidata, Roberta tocou muito cavaquinho e violão com Teresa e o pessoal da Lapa. Está lá desde a adolescência e a revitalização das primeiras casas. Até Zé Keti e Moreira da Silva, que morreram há mais de dez anos, ela acompanhou, além de Jamelão.

Na hora de gravar, chamou os amigos daquelas noites e escolheu sambas e ijexás de composição própria, e de Roque Ferreira, Paulo César Pinheiro, João do Vale. Os cabelos loiros e os olhos verdes confundem os fixados em estereótipos. "Pensam que sou da zona sul, mas venho de Vila Isabel e sempre cantei ijexás. O CD não tem coco, jongo, mas também adoro. Já nasci na religião (candomblé) e sempre quis gravar isso. Caetano e Gil fizeram muito, mas a minha geração vai mais para o samba."

Joyce também andou por palcos da Lapa, mas tem trajetória e repertório diferentes. É do interior paulista, cantou sucessos de Clara Nunes e Beth Carvalho em barzinhos e morou três anos em Nova York, onde estudou nas escolas da Broadway e participou de rodas de samba. O dinheiro ganho custeou o primeiro CD.

Produzido por Alceu Maia, O Bom e o Velho Samba Novo, tem regravações - Deixa a Menina (Chico Buarque), Feitio de Oração (Noel Rosa) -, e inéditas, tanto de medalhões quanto de jovens sambistas. Foi Chico, depois de aprovar o CD, quem o recomendou à gravadora. "Foi emocionante e incentivador", diz Joyce. "Sei que é tudo muito difícil, mas tinha que vir cantar no Rio."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.