Priscila Prade/Divulgação
Priscila Prade/Divulgação

Desconstrução em família

Cláudia Jimenez estreia hoje Mais Respeito Que Sou tua Mãe!, dirigida por Miguel Falabella

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2011 | 00h00

Aos 50 anos, uma mãe do subúrbio tem de lidar com o marido que está desempregado mas só pensa em futebol, uma filha periguete, um filho que se revela gay e um sogro de 80 anos que planta maconha em casa.

Quando assistiu à história num palco portenho, Miguel Falabella teve o estalo: a personagem tinha de ser revivida pela amiga e velha companheira de trabalho Cláudia Jimenez.

A comédia Mais Respeito Que Sou Tua Mãe! tem texto do jornalista argentino Hernán Casciari, adaptado para o teatro por Antônio Gasalla. Falabella fez sua versão e a trouxe ao Rio em setembro do ano passado. Com o aval de 40 mil espectadores cariocas, a peça chega hoje ao Teatro Procópio Ferreira.

O elenco é o mesmo: Cláudia é Nalva, mulher de Jorge (Ernani Moraes), nora do Sr Jacinto (Henrique Oscar), mãe de Jair (Frank Borges), Monique (Sara Freitas) e Cajá (Gabriel Borges). O dinheiro é pouco, os conflitos são muitos, como é de se esperar, e Nalva tenta superá-los e levar a vida doméstica em harmonia - ao menos na hora de todos se sentarem à mesa para comer.

A história foi publicada num blog por Casciari entre 2003 e 2004. Falabella conheceu Más respeto Que Soy tu Madre! por acaso. Passeava por Buenos Aires quando avistou uma fila descomunal. Vinha da porta de um teatro. "Quando olhei aquela fila enorme no meio da tarde, pensei: é claro que essa peça deve ser boa. Entrei na fila e só consegui comprar ingresso para vários dias depois", conta.

"Eu não amei de cara, não. A mãe era um homem travestido, as tintas eram muito fortes. Mas imediatamente vi que era um grande veículo para a Cláudia brilhar. Assisti a peça inteira ouvindo ela dizer aquele texto."

O público ri muito, por se identificar de imediato com os tipos e as situações: a falta de dinheiro, a tentativa da mãe de apaziguar as brigas, as dificuldades de compreender os três filhos adolescentes. E quem nunca ouviu a frase título?

O site de Casciari apresenta os Bertotti como uma família argentina que se vê abalada duramente pela crise econômica que assolou nosso vizinho em 2001. Mas família é igual em qualquer canto, daí o sucesso do espetáculo.

Ações entre amigos. Como se sabe, a preferência por trabalhar com os amigos não é exclusividade de Falabella, o autor e o diretor. Nesse trabalho, escolheu Cláudia não só por considerá-la perfeita para o papel, mas também pela facilidade de se lidar com alguém que se conhece bem. "Dá muito menos trabalho. O ator que não entende o que você fala é muito chato", ele reclama.

Múltiplo desde o início de sua carreira, no fim dos anos 70, Falabella no momento se divide entre a montagem da nova peça no Rio, A Escola do Escândalo, que entra em cartaz semana que vem (adaptação e direção são suas) e a segunda versão de A Gaiola das Loucas, dessa vez a peça, e não o musical, e com Sandro Cristopher no papel de Zazá, e não mais Diogo Vilela. A primeira cidade da turnê será Porto Alegre. Estreia no fim de abril. Enquanto isso, Diogo se prepara para a novela de Falabella, Um Mundo Melhor, que deve entrar no ar em outubro, às 19 horas.

MAIS RESPEITO QUE SOU TUA MÃE!

Teatro Procópio Ferreira. Rua Augusta, 2.823, tel. 3083-4475.

6ª e sáb., às 21h30; dom., às 19 h. R$ 70/ R$ 90. Até 28/8.

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