Desafios da crônica

Os jornalistas Lúcia Guimarães e Lee Siegel passam a escrever semanalmente no Caderno 2 a partir do dia 20

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2012 | 03h12

A partir de domingo, dia 20, as crônicas dos jornalistas Lee Siegel e Lúcia Guimarães, que se revezavam quinzenalmente às segundas-feiras na última página do Caderno 2, serão publicadas semanalmente. Siegel passa a escrever aos domingos, enquanto Lúcia Guimarães assume a crônica semanal da segunda-feira.

"Acho que a coluna semanal, mais do que influenciar na escolha de temas, vai me manter mais atenta a um formato que estou longe de ter conquistado", diz Lúcia sobre a mudança. "Como acomodar a eleição americana e as trapalhadas da minha vizinha de edifício num espaço sem entediar o leitor? Como alistar o leitor a distância para compartilhar as minhas preocupações? Como me manter antenada com as preocupações do leitor morando num país que, em vários aspectos, está numa contramão psicológica do Brasil?"

Nascida no Rio, Lúcia vive em Nova York desde 1985. Por lá, exerceu diversas funções, como editora internacional da Rede Globo e redatora do Jornal Nacional, sempre com atenção especial voltada à atividade cultural. Desde 2008, é cronista do Estado, marcando presença também como comentarista na programação da rádio Estadão/ESPN. Lee Siegel nasceu no Bronx em 1957 e fez toda a sua formação acadêmica na Columbia University, em Nova York. Autor de Are You Serious?, entre outros livros, escreve para publicações americanas como New Yorker e Slate, além de colaborar com o suplemento literário do New York Times.

Em comum, ambos têm, além da amizade - Lúcia conta que muitas das colunas de ambos "foram continuações de conversas que tivemos" -, a mistura de temas e interesses a que se debruçam em seus textos. Da vida política americana à memória do Brasil de outras épocas, passando por episódios do cotidiano ou mesmo por análises de apresentações artísticas, como peças de teatro e concertos, os dois jornalistas estabeleceram uma conexão pessoal entre os Estados Unidos e o leitor brasileiro. "Minha intenção é criar uma colagem da vida americana por meio de instantâneos sobre o que está acontecendo na cultura, política e sociedade americanas, e mesmo na minha vida pessoal, meu presente e meu passado", diz Siegel. "O Brasil é um poder crescente no mundo, um país onde a mudança é rápida e cada vez mais acelerada, onde o novo está constantemente substituindo o antigo. E porque a mudança é a essência do País, o Brasil me parece ter uma curiosidade cosmopolita e uma abertura a tudo o que é diferente, promissor e estimulante. Espero humildemente alimentar essa fome semanalmente", completa.

Vocações. Para Lúcia, a primeira função do cronista "é não ser chato". "Espero de mim o que espero dos cronistas que leio: ser relevante, ser elegante e ter senso de humor. E nunca esquecer que a coluna é um poleiro de privilégio. Se bem que a paciente Glória Lopes, revisora das colunas, haveria de discordar: para ela, a primeira função desta cronista provavelmente seria não cometer anglicismos, baixar um software com a reforma ortográfica e atualizar o repertório de gírias cariocas da década de 80", brinca.

Por sua vez, na experiência de escrever para leitores de outro país, Siegel vê um aspecto libertador. "É o sonho de um escritor. Sinto que tenho uma existência completamente alternativa em um lugar do qual, em muitos sentidos, me sinto mais próximo do que de onde habito. Percebo que os leitores brasileiros têm boa instrução, são ávidos, sérios, e esperam um alto nível intelectual de um cronista. O conteúdo do que escrevo é a única coisa que importa aos meus leitores brasileiros, eles não estão preocupados com minhas filiações profissionais ou com que opinião eu poderia ter em algum tipo de espectro ideológico. Sinto uma espécie de corrente elétrica, sem intermediários, entre meus leitores e eu. Escrevo para eles - e eles leem o que escrevo. É uma relação simples, primal, quase inocente", garante.

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