Depuração no excesso: O segredo

Segundo e terceiro episódios da trilogia da cortina vermelha de Baz Luhrmann, Romeu + Julieta e Moulin Rouge já haviam sido lançados em DVD no País, mas não nas luxuosas embalagens atuais. O luxo passa pela quantidade de extras e pela remasterização das respectivas trilhas. Os filmes ficaram nos "trinques", como se diz, mas naturalmente que o melhor de tudo é o respeito aos originais, que devolve os filmes intactos.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

Romeu + Julieta é de 1996. Antecede de um ano a realização de Titanic, de James Cameron, que impôs o jovem Leonardo DiCaprio como o astro de sua geração. Ele fez carreira em Hollywood substituindo River Phoenix em filmes formatados para o garoto que morreu de overdose. Ninguém duvidava que DiCaprio tinha o perfil para ser o herói trágico de Shakespeare.

Tanto quanto a tragédia dos amantes separados pela intransigência das respectivas famílias, Romeu e Julieta é também a tragédia de uma cidade, Verona. Baz Luhrmann a transporta para uma praia de Miami, onde procede a uma releitura pós-moderna, no estilo MTV, do texto clássico. DiCaprio e Claire Danes têm o ímpeto e a sensualidade dos amantes que se desejam. Peter Postlethwaite faz um Frei Lourenço igualmente impecável.

A "espetacularização" é ainda mais tangível em Moulin Rouge, de 2001. Ewan McGregor irrompe na tela ao som de Wonder Boy. É um puro que deseja Satine, estrela do cabaré Moulin Rouge. Mas Nicole Kidman é prometida de um aristocrata que prefere vê-la morta a fugir com outro por amor. Pós-moderno, sempre, Luhrmann assume e vence o desafio de fazer do excesso uma forma de ascese e até religião. Os extras enriquecem os dois lançamentos da Fox.

MOULIN ROUGE

ROMEU + JULIETA

Fox Home Entertainment.

R$ 79,90 (cada um)

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