Depois do incêndio, família espera recursos

O curador Fernando Cocchiarale lamenta que se perderam para sempre as pinturas monocromáticas de Hélio Oiticica danificadas no incêndio ocorrido em outubro do ano passado na casa do irmão do artista, César Oiticica, no Rio. Mas, segundo ele, não há como culpar a família de Hélio pelo ocorrido, pelo contrário - segundo Cocchiarale, foi acidente por "excesso de zelo" (problema com o ar condicionado da reserva técnica construída por César para abrigar a obra do irmão e do pai, o fotógrafo José Oiticica Filho) e "demora dos bombeiros".

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

"Teve toda a tragédia e solidariedade também, mas pior que o fogo foi o aparecimento de aproveitadores", afirma o outro curador da exposição e sobrinho do artista, César Oiticica Filho. Com a ocorrência do incêndio, que não apenas destruiu telas a óleo, parangolés originais e, parcialmente, alguns de seus bólides - sem contar 90% das cerca de 250 fotos originais de José Oiticica Filho -, suscitou-se o debate sobre a preservação de obras patrimoniais e acervos em mãos de herdeiros.

O sobrinho de Hélio defende que as instituições não estão aptas para receber a coleção da família (que, inclusive, a comercializa). Grande parte das obras de Oiticica não foi destruída - e os documentos do artista foram antes digitalizados. Estão passando por restauro, mas, segundo César Filho, o Projeto Oiticica pede "cerca de R$ 500 mil", por meio da Lei Rouanet e Fundo Nacional de Cultura, para continuação dos trabalhos. "Mas o dinheiro do Ministério da Cultura ainda não saiu por questões burocráticas", diz ele.

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