Depois do desfile, fantasia vira lixo ou é revendida na Sapucaí

Um caminhão de lixo não eraalegoria, mas estava cheio de fantasias de Carnaval em um dosportões de saída da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Logo após o primeiro desfile das escolas de samba do grupoEspecial, na noite de domingo, muitos foliões se desfaziam desuas fantasias, que iam parar no caminhão de lixo ou em ummercado negro dentro do próprio sambódromo. "É uma coisa bárbara até", disse Marco Antônio GonçalvesRamos, agente que cuida do acesso entre as arquibancadas,justamente no portão onde estava estacionado o caminhão delixo. Fantasias coloridas, cheias de plumas, se misturavam asacos contendo o lixo retirado do sambódromo."São plumas zero quilômetro, usadas apenas uma vez, indo para olixo assim, como todo esse chorume", disse Marco, quepresenciou a mesma cena em "outros Carnavais". O gari Gladiston Santos, também em seu segundo ano no mesmopapel na folia, lembra com pesar das fantasias jogadas fora."Dá dó, é muita coisa nova indo para o lixo", disse. "São coisas que podiam ser recicladas, mas a gente não podefazer nada", acrescentou. Um outro destino das roupas e acessórios que os foliõesdispensam é um mercado negro instalado na dispersão dosambódromo. Garotos, que conseguem entrar sem convite, fazem a limpanos lixos espalhados na área e revendem as fantasias parapessoas do lado de fora, através de um portão. O turista francês Vincent Burkherd, ao lado de um amigoalemão, havia comprado pela grade um adereço de cabeça daescola São Clemente e tentava adquirir mais um, em forma dedragão, da Porto da Pedra, por 5 reais."É para minha mãe", disse Vincent, que pagou 10 reais peloprimeiro acessório. "É um bom souvenir." O "vendedor" era Yago Dado de Araújo Lopes, 14 anos, quefaturava junto com cinco amigos da mesma idade. "Tem muito gringo, muito oriental para quem a gente vende",afirmou o garoto, que alega ter conseguido com os amigos cercade 300 reais em Carnavais passados. Enquanto arrastava uma fantasia maior, cheia de paetês eplumas amarelas, o jovem acabou expulso por um segurança, semdúvidas de que tentaria voltar mais tarde.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.