Depois de parar a Augusta, SPFW vai à Pinacoteca

A Rua Augusta reviveu ontem pela manhã seus tempos de hot point da moda na cidade. Tempos em que brilhavam a butiques Tobb?s, Chiclete com Banana e a hippie chic Freedom - ali ao lado, na Alameda Lorena. O responsável foi Marcelo Sommer, que usou sua loja e o todo o quarteirão entre Lorena e Oscar Freire como passarela. Fashionistas e VIPs lá dentro, no ar condicionado. Simples mortais na rua, fritando no sol do meio-dia. Ninguém reclamou. E teve até habitantes da primeira fila que, contando com o atraso de praxe, foram se jogar num bom pastel com caldo de cana (ou garapa, como se dizia no meu tempo) da feira da Alameda Lorena.Daí, um certo tumulto com a chegada do millionaire (e sócio da marca Sommer) João Paulo Diniz, se recuperando de uma cirurgia no joelho. Mas firme e forte, de muletas, acompanhado pela megafofa Naomi Campbell.Vamos à moda: Sommer é bacana. Sua viagem é pessoal e intransferível. Sim, tem aquele coté "criança demônia" (havia um macacão deliciosamente "pijaminha de menino"), mas que belo exercício de ousadia e styling (assinado pelo competente David Pollack). Uma coisa "Visconde e Mauá encontra Campos de Jordão para um editorial de moda". Teve menino de saia plissada de tweed, sem um pingo de caricatura. E menina usando pelerine de chale de tricô da vovó. Muito bom o boá de antúrios em tricô (como é prendada essa "vovó" Sommer). As calças são agarradinhas e todos os rapazes ficam com pernas finas. Também merecem nota dez o mantô feminino de tricô e a bermuda transparente de musseline desfilada por Geanine Marques. Bom ver Alexandre Herchcovitch na passarela, desfilando para o colega (a família Pedro Lourenço, Glória Coelho e Reinaldo Lourenço também prestigiou, na primeira fila). E melhor ainda notar como o estilo e o produto de Sommer estão mais aprimorados. É isso aí: quem cresce sempre aparece. Ah, a trilha sonora foi irônica, com orquestra coral (bem casamento "classe média alta") desfiando um "buquê de melodias" cafonas e irresistíveis. Carpenters, Guilherme Arantes, Abba, Barbra Streisand etc.Enquanto o domingão de calor fazia a cidade ferver, a empresária Eliana Tranchesi (leia-se Daslu) recebeu para um almoço em seus domínios do Morumbi. Na lista de convidados, imprensa e fashionistas internacionais, como a diretora da St. Martins School de Londres (a mais concorrida escola de moda do mundo) e a diretora do Museu da Moda, de Paris. Em uma rápida enquete entre os "importados", duas etiquetas se destacam: Patachou, com seu exercício de modelagem e cor em malhas (não é à toa que a marca faz sucesso em Tóquio) e Cavalera, pelo "fun" do show. É a preferência internacional. Caipirinha de jaboticaba, bellinis, pasteizinhos e uma bela feijoada embalaram a tarde fashion.No prédio da Bienal, a tarde rolou com Mareu Nitschke, Lourdinha Noyama, Eduardo Suppes (estrelando, mais uma vez, Naomi Campbell) e Rodrigo Fraga. Mas vida de fashionista é dura e nem sempre se consegue ver todo o line up do dia. Quem duvida, desafio pessoalmente para uma maratona fashion - sessão corrida de desfiles durante uma semana. "Haja coração", como diz nosso amigo da Rede Globo.Então, voltamos à Bienal para o último round do dia, com a Osklen. E a etiqueta carioca veio de skate. Isto é, o esporte radical das ruas foi o tema de uma coleção com bons momentos de mix de lingerie com sportswear (vestido combinação com cintura marcada por punho de lã canelada, e bloomer de cetim com o mesmo efeito) e uma cartela de cores delícia: branco, verde abacate e maçã - na mesma peça - vermelho incêndio e, claro, preto (mas rapidinho, uma pincelada). Muito bacana o vestido evasê curto com barrado de aplicações de rosas vermelhas. Não foi emocionante como nas temporadas anteriores, porém correto e bem comercial.Hoje o dia começa cedo. Às 11h00 tem Lorenzo Merlino na Pinacoteca. Portanto, força no guaraná em pó.Veja galeria de fotos

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