Depoimentos sobre Jorge Amado

José Luís Peixoto, escritor português, autor de Livro (Companhia das Letras)

03 de agosto de 2012 | 20h30

"Havia romances de Jorge Amado entre os livros da casa da minha infância. O primeiro que li e que me causou grande impacto foi Suor. Ainda hoje, me lembro de algumas personagens dessas páginas e, também, da forma como algumas descrições mais sensuais aqueciam a imaginação de um garoto em início de adolescência, eu. Logo depois, li mais alguns desses livros da minha mãe -- Dona Flor e Seus Dois Maridos por exemplo -- com a memória das produções da Globo que, nessa época, paravam o trânsito em Portugal. Mesmo. Na hora das telenovelas, não havia ninguém nas ruas.

Nunca fui à Bahia, mas, às vezes, até acho que já fui. Jorge Amado levou-me lá numa idade em que cada palavra lida me deixava marcas para sempre. "

Leticia Wierzchowski, ficcionista gaúcha, autora de A Casa das Sete Mulheres e Neptuno (Record), entre outros livros

"O que eu acho do Jorge Amado? Acho que é um escritor muito especial com um talento absurdo para criar personagens. E a Salvador que ele ergueu nos seus livros varou os mares. Jorge Amado transformou o Brasil num assunto interessante para o mundo muito antes que qualquer outro o tivesse feito. Ele está para a literatura assim como Dorival Caymmi está para a música... Duas novelas do Jorge Amado marcaram a minha vida, e têm lugar de destaque na estante aqui em casa: Capitães da Areia e A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água. Era um contador de histórias e um incrível ficcionista - mas todos sabemos que não era um escritor muito adorado pela academia. Não estava nem aí. Foi ele quem disse: 'Eu acho prêmio em geral uma bestice.' Salve, Jorge Amado."

Maussaud Moisés, paulista, professor aposentado de literatura da USP, autor de História da Literatura Brasiliera, A Literatura Brasileira Através dos Textos e A Literatura Portuguesa (Cultrix), entre outras obras

"Tenho para mim que a carreira literária de Jorge Amado percorre três fases: a primeira corresponde ao que se denominava 'romances da Bahia' e 'ciclo do cacau', que vai desde O País do Carnaval até São Jorge dos Ilhéus; a segunda, de caráter panfletário, com Seara Vermelha e Os Subterrâneos da Liberdade; a terceira, a partir de Gabriela, Cravo e Canela, de apelo popular e sem o compromisso ideológico que, de algum modo, se deixava subentender nas obras da fase inicial. As obras do autor que considero fundamentais são: Jubiabá, Capitães da AreiaQuincas Berro D’Água (de Os Velhos Marinheiros), Gabriela, Cravo e Canela e Dona Flor e Seus Dois Maridos."

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